Rebeldes líbios tentam se reagrupar após revés rumo a Trípoli

Coronel diz necessitar de reforços após ataques lançados por forças leais a Kadafi; combates continuam em Ras Lanouf e Bin Jawad

iG São Paulo |

Os rebeldes líbios disseram nesta segunda-feira que tentarão se reagrupar e trazer armamento pesado depois que forças leais ao líder Muamar Kadafi atacaram opositores com disparos de helicóptero, artilharia e foguetes para impedir o rápido avanço rebelde à capital .

Nesta segunda-feira, aviões militares de Kadafi bombardearam Ras Lanouf, no leste do país, um estratégico enclave petrolífero controlado pelos rebeldes desde sexta-feira. As duas bombas, porém, não deixaram vítimas ao atingir uma zona desértica. Um dia antes, uma forte ofensiva governista paralisou o avanço rebelde para Sirte, cidade natal de Kadafi e seu reduto localizada a 200 quilômetros de Ras Lanouf.

Em Bin Jawad, também no leste do país, a cerca de 160 quilômetros de Sirte, confrontos deixaram pelo menos 12 mortos e 50 feridos, segundo afirmou a France Presse citando o hospital de Ajdabiyah.

Mohamad Samir, um coronel do Exército que luta ao lado dos opositores, disse à Associated Press que suas forças precisam de reforços do leste depois do revés de domingo. "As ordens são para ficar aqui e guardar a refinaria, porque o petróleo é o que faz o mundo andar", disse o guerrilheiro rebelde Ali Suleiman, falando de um dos postos de controle estabelecidos nos arredores de Ras Lanouf.

Os confrontos de domingo pareceram indicar o início de uma nova fase no conflito, com o regime de Kadafi recorrendo a seu poder aéreo contra rebeldes que tentam pôr fim a seu governo de quase 42 anos. O pesado uso de bombardeios expõe a preocupação do regime de que é necessário supervisionar o avanço rebelde em direção a Sirte.

As forças anti-Kadafi teriam um impulso moral se capturassem a cidade, e isso tiraria do caminho um grande obstáculo na marcha para Trípoli. O levante contra Kadafi, que começou em 15 de fevereiro, vem sendo mais sangrento do que as revoltas relativamente rápidas que depuseram os líderes autoritários dos vizinhos Egito e Tunísia .

A Líbia parece se encaminhar para uma guerra civil que pode durar por semanas ou até mesmo meses. Ambos os lados parecem ser relativamente fracos e mal treinados, apesar de as forças de Kadafi ter a vantagem em número de membros e em equipamentos.

Centenas, se não milhares, morreram desde o início da turbulência - as fortes restrições à imprensa tornam quase impossível conseguir um total preciso. Mais de 200 mil deixaram o país, sendo a maioria trabalhadores estrangeiros. O êxodo está criando uma crise humanitária através da fronteira com a Tunísia - outro país do norte da África em tumulto depois da mobilização que levou à renúncia de Zine El Abidine Ben Ali.

A turbulência está sendo mais amplamente sentida no aumento do preço do petróleo. A produção petrolífera da Líbia tem sido seriamente atingida pela situação.

O conflito no país teve uma reviravolta na semana passada contra os opositores, com o apoio de unidades desertoras do Exército e armas retiradas de depósitos, lançaram uma ofensiva. Ao mesmo tempo, as forças pró-Kadafi conduziram contraofensivas para tentar retomar cidades e portos petrolíferos que os rebeldes tomaram desde que saíram da região leste do país, que está sob seu controle.

Um força de oposição composta por entre 500 e 1 mil guerrilheiros tem conseguido cortar caminha a oeste rumo a Trípoli. No caminho, tomaram o controle dos importantes portos petrolíferos de Brega e Ras Lanouf.

Se os rebeldes continuarem a avançar, mesmo que lentamente, a grande dependência de Kadafi no poder aéreo poderia estimular o Ocidente a impor uma zona de exclusão aérea sobre o país. A ONU já impôs sanções contra a Líbia, e os EUA moveram suas forças militares para mais perto da área costeira do país enquanto exige a renúncia de Kadafi.

O estabelecimento de uma zona de exclusão aérea poderia levar semanas para organizar, entretando o secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, fez a ressalva de que essa medida precisa de uma operação militar prévia para neutralizar as defesas aéreas líbias. O chanceler britânico, William Hague, disse no domingo que a zona de exclusão aérea sobre a Líbia ainda está no estágio inicial de planejamento e descartou o uso de forças terrestres.

Enquanto os combates na Líbia se intensificam, a comunidade internacional parece hesitar em pôr força militar atrás de suas demandas para que o líder líbio abra mão do poder.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, falou com o chancer líbio, Musa Kusa, no domingo, e pediu o fim das hostilidades, de acordo com um comunicado que também informou que Kusa concordou com a entrada de uma equipe de avaliação humanitária em Trípoli .

*Com AP, AFP e EFE

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