Rebeldes líbios tentam controlar cidade natal de Kadafi

Enquanto combates continuam em Trípoli, oposição lança ofensiva em áreas do país que ainda são controladas por regime

iG São Paulo |

Rebeldes líbios travam intensos combates nesta quinta-feira em Sirte, cidade natal do líder Muamar Kadafi e localizada no leste do país. Choques violentos aconteceram na estrada a caminho da cidade, que ainda é controlada por forças pró-Kadafi, com barragens de artilharia e ataques com foguetes.

Segundo testemunhas, após conquistarem a maior parte de Trípoli, os rebeldes estão enviando reforços a partir da capital para Sirte, a 400 km de distância. A oposição disse não esperar uma batalha fácil, já que a cidade é um dos principais redutos de partidários de Kadafi em todo o país.

Nesta quinta-feira, as forças pró-regime resistiam à ofensiva e bloqueavam o avanço rebelde para a cidade de Bin Jawad, a 560 km de Trípoli. Os partidários de Kadafi também controlam Sabha, a 650 km da capital. "As forças de Khadafi ainda lutam", disse o comandante rebelde Fawzi Bukatif à agência de notícias AFP.

AFP
Rebelde é visto celebrando dentro do quartel-general de Kadafi em Trípoli (25/08)

Choque ainda acontecem em Trípoli, mesmo após os rebeldes terem tomado o quartel-general de Kadafi , Bab al-Aziziya, na terça-feira. Embora os combates mais intensos pareçam ter chegado ao fim, comandantes rebeldes afirmam que ainda há bolsões de resistência na capital, com franco-atiradores leais a Kadafi em alguns pontos da cidade e ataques com morteiros.

Na quarta-feira, a coalizão de grupos rebeldes, o Conselho Nacional de Transição (CNT), anunciou uma anistia para membros do "círculo íntimo" de Kadafi que o capturem ou matem. Um empresário líbio ofereceu até US$ 1,7 milhão (cerca de R$ 2,7 milhões) pela captura de Kadafi "vivo ou morto", segundo os rebeldes.

A liderança rebelde também ofereceu a Kadafi a opção de deixar o país em segurança, se renunciar ao poder. O líder fugitivo prometeu, entretanto, em discurso transmitido na terça-feira, "vencer ou morrer".

Os rebeldes insistem que é apenas uma questão de tempo até que o líder líbio seja encontrado, mas admitem que não têm pistas de seu paradeiro. Um rebelde que se identificou como Adbul Rahman disse à agência de notícias Reuters que eles acreditam que Kadafi ainda esteja em Trípoli, possivelmente no sul da cidade, onde ainda estão ocorrendo combates.

Os rebeldes também acreditam que Kadafi e sua família podem tentar chegar à Sabha, que abriga uma base da Força Aérea. Assim, poderiam ter a opção de uma fuga pelo deserto para o Níger ou Chade.

Representantes do Conselho de Nacional de Transição também estão preparando uma reunião no Catar com enviados dos Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Turquia e Emirados Árabes Unidos para discutir o futuro da Líbia depois de Khadafi.

A coalizão rebelde afirmou que precisa de US$ 2,5 bilhões (cerca de R$ 4 bilhões) em ajuda humanitária urgente. Segundo o grupo, a prioridade absoluta é cobrir custos de ajuda humanitária e pagar salários.

O levante contra o regime de Kadafi na Líbia começou em fevereiro. As forças insurgentes começaram sua campanha pelo leste e em bolsões do oeste do país, antes de iniciar sua ofensiva contra a capital.

Bombardeios da Otan contra forças de Khadafi ajudaram a campanha rebelde. A Otan age cumprindo mandato da ONU para proteger a população civil.

Com AP e BBC

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