Rebeldes líbios se preparam para tomar cidade petroleira

Kadafi ironizou os apelos internacionais pela sua saída, jurando que "nunca" deixará a terra de seus "ancestrais"

AFP |

Os rebeldes líbios, fortalecidos por seu reconhecimento político internacional, estão muito próximos de iniciar a invasão que objetiva tomar a cidade petroleira de Brega (leste), disse neste sábado um de seus líderes."Avançamos e estamos muito perto de Brega", disse Mustafá El Sagezli, membro do conselho militar da rebelião. Segundo ele, as forças leais a Kadafi foram entrincheiradas na cidade, agora controlada por 3.000 militares fiéis ao dirigente líbio.

The New York Times
Rebelde líbio carrega um SA-7 soviético em El Ga’a (15/07/2011)

Segundo uma fonte médica da província de Ajdabiya (próxima a Brega), nove rebeldes morreram neste sábado nas imediações da cidade. Além deles, 79 rebeldes foram feridos em confrontos com os soldados de Kadafi. Ao todo, 12 rebeldes foram mortos e 178 ficaram feridos desde o início da ofensiva contra Brega, na quinta-feira à tarde. Não se sabe o número de soldados mortos.

No sábado pela manhã, os rebeldes que se aproximavam pelo norte se encontravam a 4 km de Brega e os do Leste a 10 ou 20 km da cidade. Na sexta-feira, uma unidade das forças rebeldes líbias entrou em Brega e depois se retirou para preparar um ataque, informou um porta-voz da rebelião. Segundo Mohammed Zawi, porta-voz do Exército rebelde em Benghazi, a unidade de reconhecimento entrou em Brega pelo norte da cidade, e se retirou por volta da meia-noite local de sexta-feira.

O líder líbio Muammar Kadafi, por sua vez, ironizou neste sábado os apelos internacionais pela sua saída, jurando que "nunca" deixará a terra de seus "ancestrais"."Eles me pedem para deixar (a Líbia), é engraçado. Não deixarei a terra dos meus ancestrais, nem o povo que se sacrificou por mim", disse Kadafi, comunicando-se por meio de alto-falantes com milhares de líbios reunidos em Zawiya, 50 km a oeste de Trípoli.

Estou preparado para me sacrificar por meu povo e não deixarei esta terra regada pelo sangue de meus ancestrais que combateram os colonos italianos e britânicos", disse Kadhafi.

"Estou preparado para me sacrificar por meu povo e não deixarei esta terra regada pelo sangue de meus ancestrais que combateram os colonos italianos e britânicos", disse o líder líbio, que enfrenta uma rebelião armada há cinco meses. As potências mundiais e regionais reunidas na sexta-feira no grupo de contato sobre a Líbia pediram novamente que o coronel Kadhafi deixe o poder e reconheceram plenamente os rebeldes, que o "guia" líbio classificou de "mercenários designados pelo (presidente francês Nicolas) Sarkozy e por seu chefe de inteligência".

"Esses ratos (referindo-se aos rebeldes) tomaram nosso povo como refém em Benghazi, em Misrata e nas montanhas do oeste, e se aproveitam dele como escudo humano", disse ainda, prometendo que "cinco milhões de líbios armados marcharão sobre eles e libertarão as cidades ocupadas assim que ordenar". As forças governamentais haviam retomado o controle de Zawiya em março, após duas semanas de confrontos com os rebeldes. Esta cidade é localizada nos arredores da fronteira com a Tunísia.

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