Rebeldes líbios rejeitam cessar-fogo proposto por União Africana

Para oposição, proposta aceita por Muamar Kadafi é insatisfatória pois não prevê saída de líder líbio e filhos do país

BBC Brasil |

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Os rebeldes líbios, que lutam contra o regime do coronel Muamar Kadafi, rejeitaram nesta segunda-feira o acordo de cessar-fogo proposto por uma delegação da União Africana (UA) que viajou a Benghazi, considerada a capital informal dos insurgentes, no leste da Líbia.

Os representantes africanos chegaram à cidade após apresentar sua proposta a Kadafi na capital do país, Trípoli. A União Africana diz que o líder líbio aceitou o plano, que prevê um cessar-fogo e um período de transição.

AFP
Manifestantes protestam contra Kadafi em Benghazi, Líbia
Contudo, segundo os rebeldes, a proposta não é satisfatória por não prever a saída imediata de Kadafi e de seus filhos. “A Iniciativa da União Africana não inclui a saída de Kadafi e de seus filhos da cena política líbia, logo está desatualizada”, disse Mustafa Abdel Jalil, representante dos Conselho Nacional de Transição, formado pelos rebeldes. “A iniciativa fala de reformas que surjam de dentro do sistema líbio, e isso está descartado.”

Segundo o correspondente da BBC em Benghazi Jon Leyne, manifestantes receberam a delegação da UA com protestos. Os manifestantes rodearam os veículos onde eram transportados os membros da UA, gritando "Fora Khadafi", deixando claro seu descontentamento com um plano de paz que não vislumbre a saída do líder líbio.

A UA é criticada por normalmente se alinhar aos líderes africanos, mesmo os menos populares.

Plano

O presidente da África do Sul, Jacob Zuma, anunciou no domingo em Trípoli que Kadafi havia aceitado a proposta de paz da UA. "A delegação do irmão líder (Kadafi) aceitou o 'mapa de metas' apresentado por nós", disse Zuma, pedindo que a Otan (a aliança militar ocidental) interrompa os bombardeios no país.

O plano da União Africana prevê, segundo comunicado, "a interrupção imediata das hostilidades; a cooperação das autoridades líbias para facilitar a assistência humanitária para a população necessitada; a proteção de migrantes; diálogo entre as partes e estabelecimento de um período de transição, com vistas a adotar as reformas políticas necessárias para acabar com a atual crise".

O anúncio do domingo ocorreu em um dia de fortes confrontos no país e de bombardeios sem precedentes da Otan.  A Otan anunciou ter destruído 25 tanques das tropas de Kadafi, com bombardeios aéreos perto das cidades de Ajdabiya e Misrata, palco de alguns dos conflitos mais sangrentos dos últimos dias.

Segundo Jon Leyne, a ação foi uma das mais pesadas desde que a aliança assumiu o controle das operações internacionais na Líbia, há pouco mais de uma semana.

Correspondentes da BBC relatam que, apesar do apoio aéreo da Otan, os rebeldes têm muito menos poder de fogo e sofisticação de combate do que as tropas governamentais.

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