Rebeldes líbios dizem ter entrado em cidade natal de Kadafi

De acordo com o Conselho Nacional de Transição, combatentes enfrentam resistência em um dos últimos redutos do líder deposto

iG São Paulo |

As forças armadas do Conselho Nacional de Transição (CNT) em Misrata afirmaram nesta quinta-feira que seus combatentes haviam entrado na cidade natal de Kadafi, Sirte, um dos últimos redutos do líder deposto, localizado a 360 km de Trípoli.

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Forças revolucionárias rezam durante missão localizada a 60 km de Sirte, cidade natal de Muamar Kadafi

Os rebeldes foram recebidos sob disparos de combatentes leais a Kadafi. "Eles agora entraram na cidade. Houve uma ação coordenada do sul, leste e oeste e também de locais costeiros. Não estou certo do quanto eles poderão entrar", disse à Reuters o porta-voz do CNT, Abdulrahman Busin.

"Eles estão entrando sob fogo pesado. Há um problema particular com os franco-atiradores", acrescentou o porta-voz. Fathi Bachaga, outro porta-voz ouvido pela agência AFP, disse que os rebeldes estavam sendo atacados "com morteiros de 40 e 43 mm e todos os tipos de armas".

Um repórter da Associated Press afirmou ter visto os corpos de quatro partidários de Kadafi perto de um veículo que, aparentemente, foi atingido pelas forças da Otan.

Na semana passada, expirou o prazo que as forças de oposição haviam dado aos partidários de Kadafi para a rendição. Horas antes do prazo chegar ao fim de fato, as tropas avançaram sobre Bani Walid , no deserto, onde foi encontrada uma resistência maior que a esperada.

Na quarta-feira, os rebeldes distribuíram gasolina para ajudar os civis a fugir de Bani Walid e anunciaram pelo rádio que os moradores têm dois dias para deixar a cidade antes de uma ofensiva contra as forças leais ao líder deposto.

Visita

Também nesta quinta-feira, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e o primeiro-ministro britânico, David Cameron, chegaram à Líbia para discutir o futuro do país com o CNT.

Antes da chegada dos dois líderes, que foram recebidos como heróis no país, Khaled Amre al-Turyuman, secretário do CNT, disse que Sarkozy "tem o direito de ser o primeiro presidente do mundo a ser recebido na Líbia, porque, sem o papel da França, Benghazi e seu povo não poderiam ter levado a revolução a todo o país".

"É ótimo estar na Líbia livre", disse Cameron. "O coronel Kadafi disse que os caçaria como ratos, mas vocês mostraram a coragem de leões."

O premiê britânico afirmou que seu governo procurará liberar mais 12 bilhões de libras (US$ 18,9 bilhões) em ativos líbios se uma resolução do Conselho de Segurança da ONU sobre a Líbia for aprovada. O patrimônio do governo líbio no exterior está retido por sanções que vigoravam contra o regime Kadafi

AP
Premiê britânico, David Cameron (C), e presidente francês, Nicholas Sarkozy (2º à dir.), cumprimentam pacientes no Centro Médico de Trípoli, Líbia

No mês passado, a Grã-Bretanha já havia liberado o equivalente a cerca de 1,5 bilhão de dólares em ativos líbios. A primeira parte dessa quantia foi levada em um avião militar britânico à cidade líbia de Benghazi. Previamente nesta quinta-feira, um porta-voz do governo britânico disse que o Reino Unido havia decidido liberar ao novo governo líbio 600 milhões de libras (US$ 944 milhões) que estavam retidas.

O CNT pediu recentemente uma ajuda de urgência de US$ 5 bilhões. Em 1º de setembro, no fim da Conferência de Amigos da Líbia em Paris, Sarkozy anunciou o desbloqueio imediato de US$ 15 bilhões de bens congelados de Kadafi.

Em coletiva do Sarkozy e Cameron, Jalil afirmou que seus aliados estrangeiros terão prioridade nos futuros acordos do país, advertindo que alguns dos contratos existentes seriam sujeitos a revisões por corrupção. De acordo com o chefe do CNT, não houve acordos prévios com os "aliados e amigos" do CNT, "mas, como um povo fiel, reconheceremos esses esforços e eles terão prioridade dentro de uma estrutura de transparência".

Segundo a BBC, a visita vinha sendo preparada há semanas. Apesar de inicialmente se esperar uma melhora efetiva da segurança na Líbia, decidiu-se por antecipar a viagem - a primeira desde a queda de Kadafi - a fim de mostrar apoio da comunidade internacional ao CNT, que só no fim de semana chegou a Trípoli.

* Com AFP, AP  Reuters

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