Rebeldes líbios cercam cidade natal de Kadafi

Oposição prepara ofensiva em Sirte e rejeita participação militar internacional no país, incluindo observadores desarmados

iG São Paulo |

Forças rebeldes líbias avançaram nesta quarta-feira em direção a Sirte, cidade natal do líder foragido Muamar Kadafi , após terem consolidado o controle da capital, Trípoli. Nesta quarta-feira, milhares se reuniram na praça Praça Verde, agora rebatizada de Praça dos Mártires, para as orações do feriado muçulmano de Eid al-Fitr.

AFP
Milhares participam de orações na Praça dos Mártires, ex-Praça Verde, a mais importente de Trípoli, capital da Líbia

Segundo a emissora britânica BBC, a oposição abriu uma terceira frente ao sul de Sirte com a finalidade de estabelecer um cerco ao local, considerado um dos últimos redutos do país que continua nas mãos do regime. Tiros podem ser ouvidos na cidade.

Os líderes do Conselho Nacional de Transição (CNT, órgão político dos rebeldes) deram um ultimato às forças leais ao coronel, ameaçando com uma ofensiva militar se não houver rendição até sábado. Entretanto, um porta-voz de Kadafi disse que não aceita nenhum ultimato do que descreveu como "cães armados".

Nesta quarta-feira, o chefe do conselho militar rebelde, Abdul Hakim Belhadj, afirmou que um dos filhos de Kadafi, Saadi, teria pedido garantias de sua segurança para se entregar. Ele não deu detalhes sobre a suposta negociação, que ainda estaria acontecendo.

Os rebeldes também anunciaram a prisão de um alto funcionário do regime e disseram esperar que ele informe sobre o paradeiro de Kadafi. Nagi Ahrir, que seria um “membro do clã Kadafi”, teria sido preso enquanto tentava fugir para a Tunísia.

O vice-líder do CNT, Ali Tarhouni, disse que os rebeldes desconfiam de onde Kadafi pode estar e estão confiantes de que vão capturá-lo. Há boatos de que o líder foragido estaria em Sirte, Bani Walid ou Sabha.

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) intensificou seus ataques aéreos nestas três cidades e também em Hun. De acordo com a organização, na terça-feira foram atingidos 36 alvos nestes locais, sendo 19 deles em Sirte.

Presença internacional

Na terça-feira, a liderança interina rebelde rejeitou qualquer participação militar internacional no país, incluindo a presença de observadores desarmados.

"Está claro que os líbios querem evitar qualquer tipo de presença militar da ONU ou de outras organizações", disse o enviado especial da ONU à Líbia, Ian Martin.

Martin afirmou, no entanto, esperar que os rebeldes peçam ajuda para a criação de uma força policial e para a organização de eleições, que estariam previstas para acontecer 240 dias depois que for declarada a libertação do país. "É preciso lembrar que não há nenhuma memória de eleições, não há um maquinário eleitoral, não há comissão eleitoral, nenhuma história de partidos políticos, não há sociedade civil independente, e a mídia independente só começou a surgir muito recentemente", disse Martin. "Será um grande desafio organizacional e está claro que o CNT quer que a ONU tenha um papel importante no processo."

A Anistia Internacional disse temer que combatentes leais a Kadafi presos pelos rebeldes sofram maus tratos. Segundo a Anistia, até mesmo pessoas que estavam internadas em hospitais foram tiradas de seus leitos e presas.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, disse que a crescente demanda por suprimentos na Líbia exige a liberação urgente de financiamentos para a liderança interina. Apesar de estoques de suprimentos médicos e alimentos escondidos pelo governo terem sido encontrados no fim de semana, ainda há falta de água no país. "Estima-se que 60% da população de Trípoli esteja sem água e saneamento", disse Ban Ki-Moon.

Com BBC, AP, EFE e AFP

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