Rebeldes líbios avançam e tentam isolar Kadafi em Trípoli

Após conquistar Zawiya, oposição prevê vitória até fim de agosto; Otan diz que avanços são os mais significativos em meses

iG São Paulo |

Rebeldes líbios estão bloqueando estradas e cortando o abastecimento de petróleo para a capital, Trípoli, na tentativa de isolar o regime do líder Muamar Kadafi. De acordo com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), os avanços obtidos pelos rebeldes no fim de semana são “os mais significativos em meses”.

AP
Em Zawiya, homem comemora notícia de que cidade de Surman passou para o controle dos rebeldes (14/08)

Após três dias de intensos confrontos, no sábado os rebeldes disseram ter conseguido o controle de Zawiya, cidade a 48 km de Trípoli onde estão todas as refinarias de petróleo em funcionamento na Líbia. De acordo com moradores, o fornecimento de gasolina e diesel para a capital foi cortado. “Estamos fechando as estradas para que Kadafi não tenha como levar nada até Trípoli”, afirmou um dos líderes rebeldes, Jumma Dardira.

No domingo, os rebeldes disseram ter conseguido o controle de outras duas cidades próximas à Trípoli: Gharyan e Surman. Combates ainda estariam acontecendo na região de Sabratha, a 32 km de Zawiya.

O porta-voz da missão da Otan na Líbia, coronel Roland Lavoie, afirmou que os rebeldes conseguiram avanços também em Misrata e Brega e confirmou que a oposição “está assumindo o controle dos principais acessos a Trípoli”.

Lavoie acrescentou que os bombardeios da Otan destruíram mais de cem alvos militares apenas na última semana, o que ajudou a enfraquecer a estrutura militar do regime de Kadafi.

O Conselho Nacional de Transição (CNT), que reúne a oposição líbia, estimou nesta terça-feira que será possível obter uma vitória sobre Kadafi até o fim de agosto. Segundo o representante do CNT na França, Mansour Saif al-Nasr, o fato de os rebeldes terem obtido o controle de Zawiya “é importante porque abre a porta rumo à Trípoli” e dá início à “fase militar decisiva”.

"Esperamos celebrar a vitória final junto com o final do Ramadã", disse, acrescentando que os rebeldes e a população da capital preparam "uma rebelião”.

As notícias sobre o avanço dos rebeldes provocou temor entre moradores de Trípoli, que acreditam que confrontos podem acontecer em breve na cidade. Muitos fugiram para regiões próximas e relataram aumento nos preços de comida, falta de combustível e dinheiro, além de cortes de energia.

O conselho de transição líbio afirmou nesta terça-feira que não mantém conversações com o governo de Kadafi nem com o enviado especial da ONU para a Líbia a fim de resolver a guerra civil. O CNT também negou veementemente qualquer tentativa de selar um acordo com o líder líbio, insistindo que depois de 41 anos no poder ele deve renunciar ou ser retirado do poder. Um porta-voz do governo de Kadafi também negou negociações com rebeldes.

Míssil Scud

Uma autoridade do Departamento de Defesa dos EUA afirmou na segunda-feira que as forças leais a Kadafi dispararam um míssil Scud depois dos avanços rebeldes do fim de semana.

O míssil Scud foi disparado de um local cerca de 80 quilômetros a leste de Sirte, cidade natal de Kadafi, e caiu a leste da localidade petrolífera de Brega. O míssil caiu no deserto, sem deixar feridos, segundo a autoridade que não quis ser identificada. O governo líbio não se manifestou sobre o assunto.

Desde o início do conflito, há seis meses, as forças de Kadafi usavam foguetes Grad, de curto alcance. Os Scud podem alcançar alvos a até 300 quilômetros.

Para a Otan, no entanto, o uso desse tipo de míssil não representa uma ameaça militar e trata-se de um sinal de desespero crescente das forças líbias, que perderam posições estratégicas nos últimos dias para os rebeldes. "O míssil tipo Scud...é um tipo de armamento que não representa uma nova ameaça", disse o coronel Roland Lavoie, porta-voz militar da Otan, em uma entrevista coletiva em Bruxelas.

Com AP, AFP, EFE e Reuters

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