Forças opositoras anunciaram controlar a refinaria de Zawiyah, assumindo uma das principais fontes de energia do regime

Reprodução de vídeo mostra rebeldes líbios comemorando sua vitória em Zawiya em 19 de agosto de 2011
AP
Reprodução de vídeo mostra rebeldes líbios comemorando sua vitória em Zawiya em 19 de agosto de 2011
Os rebeldes que lutam contra o regime do coronel Muamar Kadafi na Líbia anunciaram controlar a refinaria de Zawiyah, a cerca de 50 km a oeste de Trípoli, assumindo assim uma das principais fontes de energia do regime e fortalecendo seu avanço rumo à capital do país. A refinaria de Zawiyah produz cerca de 120 mil barris diários de petróleo e é atualmente o principal fornecedor de combustível de Trípoli.

Até o momento, Kadafi e forças leais ao seu regime seguem controlando Trípoli e os arredores da cidade de 2 milhões de habitantes. Mas os rebeldes fizeram conquistas significativas nas últimas três semanas e avançam em direção à capital pelo oeste, sul e leste do país.

A campanha de bombardeios contra alvos do regime líbio promovida pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) impediu que o governo enviasse reforços a Zawiya, o que permitiu aos rebeldes controlar parte da cidade desde quinta-feira e obrigou combatentes pró-Kadafi a fugir. Na cidade, os rebeldes controlam a estrada que liga até a fronteira com a Tunísia, cortando assim as vias de abastecimento do regime Kadafi.

Os rebeldes líbios, no entanto, tiveram de se retirar da zona industrial da cidade de Brega (leste) em meio a intensos bombardeios das forças do regime, confirmou o porta-voz da rebelião, o coronel Ahmed Omar Bani.

Previamente, os insurgentes garantiram que controlavam toda a cidade, cenário de violentos combates há semanas na frente leste do país, depois de terem tomado as instalações locais de petróleo.

O porta-voz da rebelião, coronel Ahmed Omar Bani, explicou que "ontem tínhamos a zona industrial sob controle. Mas a verdade é que a situação mudou por causa dos intensos disparos da artilharia inimiga". "É uma retirada estratégica e tática, para salvar a vida de nossos combatentes e evitar mais destruição na infraestrutura de petróleo", disse.

Desde o início do conflito na Líbia, a cidade já alternou períodos em que esteve nas mãos de rebeldes e de tropas pró-governo. Os combatentes anti-Kadafi divulgaram neste sábado um comunicado transmitido pela emissora de TV pedindo aos moradores de Trípoli que se preparem para sua chegada.

Conquistas

Há uma semana os rebeldes apertaram consideravelmente o cerco em torno de Trípoli, com a tomada da cidade de Zawiyah, a 40 km a oeste da capital. A queda de Zawiyah tem relevância fundamental para o domínio rebelde no país, pois nessa cidade fica uma das mais importantes refinarias de petróleo da Líbia.

A conquista pelos insurgentes da refinaria de Zawiyah, única fonte de fornecimento de combustível e gás à capital, "provocará uma grave crise" de abastecimento em Trípoli, declarou um dirigente local, Mohamed el-Halukh, segundo a AFP. Milhares de habitantes da capital, que já vêm suportando cortes no fornecimento de energia elétrica, tentam fugir da cidade.

Trata-se de uma das mais importantes conquistas feitas por eles após meses de combates. A insurreição na cidade teve início em março deste ano, e Zawiya virou palco de violentos confrontos entre ativistas anti-Kadafi e tropas leais ao governo.

Fuga

Além do avanço das tropas rebeldes, o ex-primeiro-ministro líbio Abdessalam Jalloud abandonou Trípoli para fugir do regime de Kadafi e viajou para a Itália neste sábado após receber apoio dos rebeldes, informou a agência de notícias tunisiana TAP.

Jalloud foi um dos cérebros do golpe de Estado que levou o coronel Kadafi ao poder em 1969. No entanto, estava afastado do governo desde os anos 1990 por divergências com o líder e permaneceu longo tempo sob vigilância do regime.

Também segundo a TAP, cerca de 2 mil refugiados da Líbia atravessaram a fronteira com a Tunísia pelo posto de controle de Dehiba-Wazin nas últimas 24 horas. A agência informou que o fluxo migratório, que o posto fronteiriço não registrava havia vários dias, é proveniente das regiões de Zawiyah e Jebel el-Gharbi.

*Com BBC, EFE e AFP

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