Rebeldes estendem ultimato e Kadafi diz que não se renderá

Forças leais ao líder foragido têm mais uma semana para se render, enquanto coronel convoca luta contra 'traidores'

iG São Paulo |

O Conselho Nacional de Transição (CNT, órgão político dos rebeldes líbios) estendeu nesta quinta-feira em uma semana o prazo para que as forças leais ao líder foragido Muamar Kadafi se rendam. Em mensagem de áudio, Kadafi declarou que não pretende se render e que continuará a lutar pelo controle da Líbia.

AP
Rebeldes rezam em posto de controla a 167 km de Sirte, na Líbia

Na terça-feira, os rebeldes deram um ultimato às forças de Kadafi , dizendo que caso não se rendessem até sábado (2), teriam de enfrentar uma ofensiva militar. Os partidários de Kadafi estão concentrados principalmente na cidade natal do líder, Sirte, que está cercada pela oposição .

Agora, o CNT diz que os chefes tribais terão mais uma semana para fazer a transferência de poder na cidade. ”Sirte não é m objetivo tão estratégico para justificar a precipitação”, declarou o porta-voz dos rebeldes em Benghazi, Mohammed Zawawi. “Queremos dar tempo para fazer com que as negociações avancem. Preferimos forçá-los a se render cortando os serviços de água e energia.”

De acordo com a autoridade do CNT, os líderes tribais já perceberam a sua própria desvantagem em um possível enfrentamento contra os rebeldes, que têm o apoio militar das potências ocidentais, mas ainda precisam convencer as tropas do coronel Kadafi.

Em nova mensagem de áudio, divulgada nesta quinta-feira pela TV síria Arrai, Kadafi pediu que seus partidários continuem lutando pelo controle da Líbia e armem emboscadas contra “agentes do colonialismo e traidores”.

“Que haja uma longa luta e que a Líbia seja tomada pelas chamas”, disse Kadafi. "Não vamos desistir. Não somos mulheres. Vamos continuar a lutar.”

Sanções suspensas

Diversos países estão reunidos nesta quinta-feira em Paris para discutir o futuro da Líbia. A União Europeia anunciou a suspensão de sanções contra 28 empresas líbias, com o objetivo de ajudar o governo interino do país a reativar a atividade econômica.

A medida inclui o fim de sanções a seis autoridades portuárias, mais de uma dezena de companhias nos setores de gás e petróleo, diversos bancos e instituições financeiras e a companhia aérea nacional.

A UE também congelou os bens de 39 cidadãos líbios, incluindo Khadafi, e seus filhos. Eles também estão proibidos de entrar nos países do bloco.

Diversos Estados-membros da UE já reconheceram o Conselho Nacional de Transição (CNT) como governo legítimo do país.

O encontro desta quinta reúne representantes até mesmo de países que não apoiaram a resolução da ONU que autorizou a campanha aérea comandada pela Otan contra forças de Kadafi, como Brasil, Alemanha, Rússia e a China.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, o comandante da Otan, Anders Fogh Rasmussen, e a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, estão entre os presentes. Líderes árabes, como o emir do Qatar e o rei da Jordânia também participam da reunião.

A reunião visa a estabelecer as medidas necessárias para promover a reconstrução do país, abalado por seis meses de guerra civil. Durante esse período, a UE já contribuiu com 150 milhões de euros (cerca de R$ 340 milhões) em ajuda humanitária para o país.

A comissária europeia para o assunto, Kristalina Georgieva, advertiu que cerca de um terço da população da capital, Trípoli - pelo menos 400 mil pessoas -, corre risco de ficar sem acesso a comida e água.

Com BBC, AFP e EFE

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