Rebeldes e forças de Kadafi combatem em áreas-chave de Trípoli

Clima de euforia diminui após aparição de filho de líder líbio cuja prisão tinha sido anunciada no domingo

iG São Paulo |

Reuters
Saif al-Islam, filho de Kadafi, acena enquanto fala com jornalistas em Trípoli
Forças do governo líbio e rebeldes continuam se enfrentando em várias áreas-chave de Trípoli nesta terça-feira. Os combates mais intensos acontecem próximo ao quartel general do coronel Muamar Kadafi , na região de Bab al-Aziziyah, e em um hotel controlado pelo governo que abriga a maior parte dos jornalistas estrangeiros.

De acordo com a emissora americana CNN, rebeldes disseram ter atacado o complexo de Kadafi, uma informação que não pôde ser verificada de forma independente. Na segunda-feira, combates aconteciam ao redor do complexo .

Em meio a um clima tenso, com tiros e explosões registradas em diversas áreas, ambos os lados afirmam ter o controle da maior parte da capital. O clima de euforia diminuiu sensivelmente após a aparição de Saif al-Islam Kadafi , filho do líder líbio, um dia depois de o Tribunal Penal Internacional (TPI) ter confirmado alegações dos rebeldes de que ele havia sido capturado.

Conduzido por um veículo blindado, Saif fez uma aparição no hotel onde estão hospedados os jornalistas estrangeiros e disse que seu pai está a salvo em Trípoli. "Nós quebramos a espinha dos rebeldes", afirmou. "Era uma armadilha. Nós os fizemos passar por maus bocados, então estamos ganhando."

A aparição de Saif pareceu dar nova energia às forças leais a Kadafi, que intensificaram os combates contra os rebeldes. O porta-voz do governo, Moussa Ibrahim, afirmou, na rede de TV líbia Al-Urubah, que Kadafi tem o controle de pelo menos 75% de Trípoli. Na noite de segunda-feira, os rebeldes alegaram estar em controle de cerca de 80% da capital.

Até agora, não está claro se o filho de Kadafi foi detido e depois libertado ou se ele chegou mesmo a ser preso em algum momento.

Nesta terça-feira, um porta-voz disse que o TPI nunca teve confirmação "oficial" sobre a detenção de Saif. No entanto, na segunda-feira autoridades do tribunal anunciaram estar em contato com os rebeldes para negociar a extradição do herdeiro de Kadafi para Haia.

A prisão de Saif também havia sido confirmada por Mustafa Abdul Jalil, chefe do Conselho Nacional de Transição (CNT, órgão político dos rebeldes líbios). Ele também havia confirmado a prisão no domingo de Mohammed, outro filho de Kadafi. Além disso, a TV Al-Arabiya anunciou que o terceiro filho de Kadafi, Saadi, cuja prisão havia sido anunciada no domingo, foi preso na verdade nesta segunda-feira.

Posteriormente, porém, a rede de TV Al-Jazeera informou que forças governistas ajudaram Mohammed, o filho mais velho do ditador árabe que era encarregado das telecomunicações líbias, a escapar da prisão domiciliar em que era mantido. A informação foi confirmada à rede de TV americana CNN pelo diplomata líbio Ali Suleiman Aujali, que renunciou ao cargo de embaixador da Líbia em Washington ao romper com Kadafi no fim de fevereiro.

Pressão internacional

Nesta terça-feira, o ministro das Relações Exteriores da França, Alain Juppé, advertiu que " a vitória não está completa " ainda na Líbia e considerou que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) deve permanecer alerta.

"O regime está à beira de afundar, mas ainda há focos de resistência. É preciso manter a pressão. A Otan deve permanecer alerta para chegar até o fim desta operação", assinalou o chefe da diplomacia francesa à rádio Europe 1.

O ministro francês considerou que "a França teve um papel determinante" na operação, tanto "no plano político como no militar", no qual, junto com os britânicos, forneceram "entre 75% e 80%" dos meios mobilizados pela aliança atlântica.

Também nestar terça-feira, mais dois países árabes reconheceram o CNT como autoridade legítima da Líbia: Omã e Bahrein.

Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores de Omã fez um apelo para que os rebeldes mantenham o controle no país, impedindo um cenário de caos e desordem.

A agência de notícias oficial do Bahrein expressou a "esperança" de que o CNT possa liderar a Líbia por um caminho de estabilidade e reconstrução.

Com BBC, AP, AFP e EFE

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