Rebeldes dizem que ataque matou filho de Kadafi, mas regime nega

Khamis Kadafi, que comanda importante brigada militar, teria sido morto em bombardeio aéreo da Otan na cidade de Zlitan

iG São Paulo |

Reuters
Em imagem de 18 de junho, partidário do regime mostra fotos de Kadafi (ao centro) e dos filhos Khamis (direita) e Seif (esquerda)
Rebeldes líbios afirmaram nesta sexta-feira que o filho mais novo do líder Muamar Kadafi foi morto em um ataque aéreo da Otan na cidade de Zlitan. O governo da Líbia, porém, negou a informação.

"As notícias sobre a morte de Khamis Kadafi são mentiras sujas para encobrir a morte de civis nesse local pacífico", afirmou o porta-voz Mussa Ibrahim.

A Otan disse ter conhecimento de rumores sobre a morte de Khamis Kadafi, mas não confirmou a informação.

Segundo os rebeldes, ele teria sido uma das 32 vítimas de um ataque aéreo contra um centro de operações do Exército em Zlitan, a 140 km da capital, Trípoli.

Se confirmada, a morte de Khamis Kadafi, 27 anos, seria um golpe significativo para o regime. Sua brigada, considerada uma das mais equipadas e bem treinadas equipes do Exército líbio, luta contra os rebeldes líbios em Zlitan há meses. A resistência do regime na cidade é um dos principais obstáculos que impede os rebeldes de chegar à Misrata e, depois, à capital.

Mas esta não é a primeira vez que a morte de Khamis Kadafi é anunciada pelos rebeldes. Em março, rumores de que ele tinha sido morto em um ataque aéreos se mostraram falsos quando o filho do líder apareceu em uma festa em homenagem a seu pai transmitida pela TV estatal.

Militantes islâmicos

Na quinta-feira, outro filho de Kadafi, Seif al-Islam, afirmou que o regime líbio está cortejando militantes islâmicos para que se voltem contra os rebeldes, confirmando os esforços do governo para aproveitar as divisões dentro da oposição.

Segundo o jornal americano The New York Times, um dirigente rebelde da facção religiosa, citada por Saif al-Islam como sendo seu interlocutor, confirmou as negociações.

Há mais de 40 anos à frente do poder, Kadafi tem reprimido duramente militantes islâmicos. Alguns deles aderiram à revolta da oposição, que busca derrubar o governo atual.

Rumores de divisões dentro do movimento rebelde se intensificaram desde que o líder militar dos rebeldes líbios, o general Abdel Fattah Younes , foi assassinado no fim de julho.

Ao New York Times, o filho de Kadafi disse que o governo e os militantes islâmicos divulgarão nos próximos dias uma declaração conjunta anunciando a aliança. "Os liberais fugirão ou serão mortos", afirmou Seif al-Islam sobre os rebeldes.

Segundo o filho de Kadafi, que já foi apontado como provável sucessor do pai, os contatos do regime líbio foram com Ali Sallabi, o "verdadeiro líder" da rebelião e o "guia espiritual" dos militantes.

Ao Times, Sallabi disse ter sido procurado pelo regime, mas continua participando da rebelião.

Segundo ele, o filho de Kadafi teve diversos diálogos com a oposição, como sobre a saída de Kadafi do poder.

Além de não ter sido totalmente esclarecida, a morte de Younes expôs rivalidades tribais dentro da oposição líbia, assim como divisões entre as alas islâmica e liberal.

Na ocasião da morte do líder militar, o governo de Kadafi disse que o assassinato do general comprova que os rebeldes opositores não são capazes de governar a Líbia.

Com Reuters, AFP e AP

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