Rebeldes dão ultimato para que forças leais a Kadafi se rendam

Oposição diz que vai 'decidir a questão militarmente' se partidários de líder foragido não se renderem até sábado

iG São Paulo |

O Conselho Nacional de Transição (CNT, órgão político dos rebeldes líbios) deu nesta terça-feira um prazo de três dias para que as forças leais ao líder foragido Muamar Kadadi se entreguem. Do contrário, ameaçaram lançar uma dura ofensiva militar contra as áreas onde os partidários de Kadafi ainda resistem.

O líder do CNT, Mustafa Absul Jalil, ofereceu um cessar-fogo de 48 horas, por causa do feriado do Eid al-Fitr, que marca o fim do Ramadã, mês sagrado para os muçulmanos. Segundo Jalil, se até sábado não houver “indicações pacíficas” de que as forças de Kadafi estão se preparando para um rendição, os rebeldes "vão decidir a questão militarmente". "Não gostaríamos (de atacar Sirte), mas não podemos esperar mais", afirmou.

AP
Líbios protestam contra Kadafi na principal praça de Trípoli, na Líbia

O ultimato foi dado no mesmo dia em que o coronel Hisham Buhagiar, comandante das tropas anti-Kadafi que tomaram Trípoli há uma semana, estimou em cerca de 50 mil o número de mortos desde o início da revolta popular na Líbia, há seis meses. A estimativa inclui os que teriam sido mortos em confrontos e os desaparecidos desde fevereiro, disse à Reuters. "Libertamos cerca de 28 mil prisioneiros. Supomos que todos os desaparecidos estejam mortos ", disse. A informação não pôde ser confirmada por fontes independentes.

Os rebeldes preparam há dias um ataque contra a cidade natal de Kadafi, Sirte, considerada o último grande foco de resistência das forças leais a Kadafi. Mas, como muitos integrantes da oposição têm familiares vivendo no local, há uma tentativa de evitar derramamento de sangue.

Nesta terça-feira, os rebeldes também exigiram que a Argélia entregue os familiares de Kadafi que fugiram para o país.

A agência de notícias estatal argelina, APS, informou na segunda-feira que os familiares de Kadafi tinham cruzado a fronteira . No entanto, não deu informações sobre o paradeiro do líder, que continua foragido desde que os rebeldes tomaram a maior parte da capital líbia na semana passada.

Entre os familiares do líder líbio que conseguiram entrar na Argélia estão a esposa Safia, a filha Aisha, o filho mais velho, Mohammed, que teria escapado depois de se entregar às forças rebeldes em Trípoli, e outro filho, Hannibal.

Um porta-voz dos rebeldes líbios disse que a decisão foi ''um ato de agressão contra o povo da Líbia'', e afirmou que serão usados todos os meios legais para obrigá-los a regressar ao país.

Em entrevista à BBC, o representante argelino Mourad Benmehidi disse que existe na região uma ''regra sagrada de hospitalidade''. O governo argelino afirmou que a decisão se deu por razões humanitárias e que os familiares de Kadafi que a Argélia concordou em receber não se encontram em listas de procurados.

A agência AFP afirmou que nesta terça-feira Aisha deu à luz uma menina, citando como fontes autoridades do governo argelino que não quiseram ser identificadas. Mãe e filha passam bem, de acordo com as autoridades.

Única filha biológica de Kadafi, Aisha dirigia uma fundação de caridade e, em 2004, integrou a equipe de advogados que defendeu o ex-líder iraquiano Saddam Hussein. Não foi feito nenhum anúncio público sobre a gravidez de Aisha, advogada com 30 e poucos anos.

AP
Suspeito de ser mercenário de líder Muamar Kadafi é preso em Trípoli, Líbia
Ela permaneceu em boa parte fora da política da Líbia, mas, depois do início da revolta contra o governo de seu pai, apareceu em comícios pró-Kadafi e concedeu entrevistas nas quais acusou a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) de matar crianças líbias.

Os comandantes da Otan afirmaram nesta segunda-feira que a campanha aérea contra as forças leais a Kadafi deve continuar, pois a guerra na Líbia está longe do fim. Em uma declaração divulgada depois de uma reunião no Catar, os comandantes da aliança prometeram continuar com os bombardeios contra o que resta das forças do líder.

Com BBC e Reuters

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