Rebeldes atacam bairro de Trípoli onde acreditam estar Kadafi

Pouco após início de ofensiva em Abu Salim, líder volta a convocar luta armada contra oposição em mensagem de áudio

iG São Paulo |

Rebeldes líbios realizam uma ofensiva nesta quinta-feira no bairro de Abu Salim, em Trípoli, onde acreditam que o líder Muamar Kadafi possa estar escondido. De acordo com a rede CNN, a oposição acredita que Kadafi estaria abrigado em um conjunto de edifícios próximo a seu quartel-general, tomado por rebeldes na terça-feira.

O bairro é considerado um forte reduto de partidários de Kadafi. Os rebeldes acreditam que familiares ou outros apoiadores do líder também podem estar no local.

Horas depois de a ofensiva começar, uma nova mensagem de Kadafi foi divulgada por uma rádio. Ele voltou a convocar a população a lutar contra os rebeldes. "Devemos resistir a esses ratos inimigos, que serão derrotados graças à luta armada", afirmou. "Saiam de suas casas e libertem Trípoli."

O líder também citou nominalmente o presidente da França, Nicolas Sarkozy. "A Líbia é para o povo líbio, não para o imperialismo, não para a França, não para o Sarkozy, não para a Itália", afirmou.

AFP
Rebelde é visto celebrando dentro do quartel-general de Kadafi em Trípoli (25/08)
Mais cedo, a revista francesa Paris-Match afirmou que os rebeldes quase capturaram Kadafi na quarta-feira. De acordo com a revista, que cita “fontes confiáveis” sem especificá-las, serviços de inteligência árabes teriam localizado uma casa no centro de Trípoli onde o líder teria passado ao menos uma noite. Segundo a Paris-Match, rebeldes invadiram a casa, mas Kadafi já tinha fugido.

Otan

O ministro britânico da Defesa, Liam Fox, afirmou nesta quinta-feira que a Otan participa ativamente da operação que busca Kadafi. “Posso confirmar que a Otan está fornecendo inteligência e equipamentos de reconhecimento ao Conselho Nacional de Transição (órgão político dos rebeldes) para ajudar a localizar o coronel Kadafi e outros membros do regime”, afirmou Fox à rede de TV Sky News.

O ministro se recusou a confirmar os rumores de que forças especiais de alguns países que integram a Otan estão envolvidas nas operações, limitando-se a dizer que a organização desempenha “papel-chave”.

Na terça-feira, um funcionário da Otan disse à rede de TV CNN que forças especiais do Reino Unido, França, Jordânia e Catar estão há alguns dias em campo na Líbia para ajudar os rebeldes em operações na capital, Trípoli, e em outras cidades.

Segundo a fonte, particularmente as forças britânicas têm auxiliado as unidades rebeldes a "se organizar melhor para conduzir as operações".

Algumas dessas forças de todos os países viajaram com as unidades rebeldes através da Líbia em seu avanço a Trípoli. A autoridade da Otan, que falou sob condição de anonimato, disse que as forças especiais ajudaram os rebeldes a "melhorar suas táticas".

No entanto, nesta quinta-feira a porta-voz da Otan, Oana Lungescu, negou a existência de "coordenação militar" com os rebeldes para encontrar Kadafi. "Executamos operações na Líbia seguindo ao pé da letra nosso mandato (do Conselho de Segurança da ONU) para proteger os civis", destacou a porta-voz. "Atuamos quando é necessário, quando detectamos ataques ou ameaças de ataques contra os civis", disse Lungescu.

Batalha em Sirte

Rebeldes líbios travam intensos combates nesta quinta-feira em Sirte , cidade natal de Kadafi e localizada no leste do país. Choques violentos aconteceram na estrada a caminho da cidade, que ainda é controlada por forças pró-Kadafi, com barragens de artilharia e ataques com foguetes.

Segundo testemunhas, após conquistarem a maior parte de Trípoli, os rebeldes estão enviando reforços a partir da capital para Sirte, a 400 km de distância. A oposição disse não esperar uma batalha fácil, já que a cidade é um dos principais redutos de partidários de Kadafi em todo o país.

Nesta quinta-feira, as forças pró-regime resistiam à ofensiva e bloqueavam o avanço rebelde para a cidade de Bin Jawad, a 560 km de Trípoli. Os partidários de Kadafi também controlam Sabha, a 650 km da capital. "As forças de Khadafi ainda lutam", disse o comandante rebelde Fawzi Bukatif à agência de notícias AFP.

Choque ainda acontecem em Trípoli, mesmo após os rebeldes terem tomado o quartel-general de Kadafi, Bab al-Aziziya, na terça-feira. Embora os combates mais intensos pareçam ter chegado ao fim, comandantes rebeldes afirmam que ainda há bolsões de resistência na capital, com franco-atiradores leais a Kadafi em alguns pontos da cidade e ataques com morteiros.

Na quarta-feira, a coalizão de grupos rebeldes, o Conselho Nacional de Transição (CNT), anunciou uma anistia para membros do "círculo íntimo" de Kadafi que o capturem ou matem. Um empresário líbio ofereceu até US$ 1,7 milhão (cerca de R$ 2,7 milhões) pela captura de Kadafi "vivo ou morto", segundo os rebeldes.

A liderança rebelde também ofereceu a Kadafi a opção de deixar o país em segurança, se renunciar ao poder. O líder fugitivo prometeu, entretanto, em discurso transmitido na terça-feira, "vencer ou morrer".

Fundos

Os Estados Unidos e o Reino Unido estão pressionando para a liberação de fundos para rebeldes líbios , que pedem o descongelamento de US$ 5 bilhões em dinheiro líbio que está em contas no exterior.

Os aliados ocidentais estão fazendo intensa pressão diplomática contra a África do Sul para que recue da posição contrária ao descongelamento de US$ 1,5 bilhão do regime de Muamar Kadafi acordado pelas Nações Unidas, com potências ocidentais argumentando que os fundos precisam ser transferidos com urgência para o Conselho Nacional de Transição (CNT), órgão político dos rebeldes líbios.

Segundo a versão online do jornal Financial Times, diplomatas britânicos disseram que a África do Sul, que mantém laços estreitos com o regime de Kadafi, está relutante em reconhecer o CNT como governo legítimo da Líbia. Atualmente, a África do Sul é um dos membros 15 países do Conselho de Segurança, que precisa ter uma votação unânime para descongelar os fundos. Segundo diplomatas, a África do Sul disse que estaria disposta a descongelar inicialmente apenas US$ 500 mil para prover ajuda humanitária ao povo líbio.

Também nesta quinta-feia a Liga Árabe reconheceu o CNT como único representante legítimo do povo líbio. O órgão decidiu que o CNT ocupará no sábado o lugar da Líbia na reunião dos ministros de Relações Exteriores, que será realizada na capital egípcia, Cairo. "Nós concordamos que é hora de a Líbia reaver seu assento e lugar legítimo na Liga Árabe. O CNT será o representante legítimo do Estado líbio", disse o secretário-geral da entidade, Nabil Elaraby.

*Com AP, Reuteres, AFP e EFE

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