Realismo e ideologia nos conflitos árabes

Kadafi, ditador da Líbia há 42 anos, e sua gente não abrirão mão do poder

Nahum Sirotsky, de Israel |

Kadafi, o ditador da Líbia há 42 anos, mobilizou forças estrangeiras, ao que consta, do Zimbábue, para apoiá-lo na reação às manifestações populares contra o seu governo. Entre os que empregaram munição viva contra a multidão foi possível identificar os mercenários. Talvez isso explique a crueldade com que respondeu aos gritos da multidão contra a sua pessoa e a injustiça com que trata o seu povo.

Já se tem a certeza da morte de centenas de manifestantes, e um número maior e não revelado de feridos. Considera-se provável que o número de vítimas fatais seja tragicamente elevado bem maior, como o de feridos. Os dirigentes de hospitais não revelam a verdade pelo o receio. O ditador, que financiou no passado inúmeros atos de terrorismo, nunca mostrou maior interesse no que se escrevia sobre a sua estranha personalidade. Consta que há imensa riqueza em petróleo e imensa e miséria em seu país. Em tempos recentes ele mudou seu comportamento, desistiu de ter uma Líbia como potência nuclear, e, de financiar grupos terroristas. Mas as matanças prosseguiam a noite. Ele e sua gente não abrirão mão do poder.

Em Bahrein, pequeno país do Golfo Pérsico, uma pequena parte da população é rica em petróleo. A “democracia" que vinha sendo implantada por seu rei foi elogiada há semanas por Hillary Clinton, secretária de Estado americana. Pela revolta popular, parece que ela se enganou na impressão que tinha da qualidade de vida, assegurada pela riqueza nacional. O povo exige mudanças. Bahrein é onde está a maior base naval militar americana da região, a garantia da defesa dos interesses americanos.

Parece estranho, mas não foi por esquecimento, que vozes oficiais americanas protestaram contra a reação desses países à revolta popular. E os apelos de Washington insistem em que seja controlada a violência contra o povo. Mas não houve sugestão alguma feita pelos porta-vozes americanos no sentido de que os governos desses dois países – Líbia e Bahrein – atendam as reivindicações reformistas do povo. No caso do Egito, o maior país árabe do mundo (não confundir com maometanos, porque existem países maiores na Ásia), Washington, desde o primeiro instante empenhou-se em convencer o governo Mubarak a ceder às reivindicações populares. E quase no final da revolta apoiou abertamente o povo e implicitamente ao pedido que faziam para Mubarak deixar o poder. Não basta lembrar que o presidente derrubado, que ao que consta não deixou o Egito até agora, encontra-se no resort de Sharm el-Sheikh, e é um homem de 82 anos gravemente doente.

No caso dos dois países citados, analistas destacam que não se conhece apelo pela mudança dos governantes. O mundo árabe foi informado pelas redes sociais e outros meios. As massas não esquecerão. Mais forte do que o reconhecimento da justiça das reivindicações populares ficou a impressão de que a importância estratégica de ambos os países pesou decisivamente.

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