Protestos se espalham pela Síria e governo responde com violência

Manifestantes pró e contra governo entram em choque em Damasco, e testemunhas dizem que forças atiram em Deraa, Latakia e Sanamein

iG São Paulo |

Milhares de manifestantes foram às ruas nesta sexta-feira em diversas cidades da Síria para protestar por mais liberdades políticas. Algumas das manifestações foram reprimidas com violência por forças de segurança, enquanto em outros locais partidários do governo e oposicionistas entraram em choque. Segundo a emissora britânica BBC, apenas em Damasco os confrontos teriam deixado 20 mortos. Em informe, a Anistia Internacional comunicou que acredita que pelo menos 55 morreram e em torno da cidade durante esse tempo.

Testemunhas disseram que soldados atiraram contra manifestantes na cidade de Daraa, no sul do país, após uma multidão ter incendiado uma estátua de bronze do ex-presidente Hafez Assad. O confronto teria deixado várias vítimas em Daraa e também em Latakia e Sanamein, mas as restrições à imprensa internacional na Síria dificultam a confirmação dessas informações.

Na capital, Damasco, milhares de opositores pediam mais liberdades políticas do lado de fora da mesquita de Umayyad. Os manifestantes entraram em choque com partidários do governo, agredindo uns aos outros com cintos e pedras.

As cidades de Tel e Hama também foram palco de protestos em apoio à população de Deraa, que deu início à onda de protestos na Síria. Na quarta-feira, pelo menos 15 manifestantes foram mortos quando autoridades dispararam contra a multidão. Um hospital, porém, disse ter recebido 37 corpos, e grupos da oposição afirmam que as mortes passam de cem.

A crise começou na sexta-feira passada (18), quando moradores de Deraa protestaram contra a detenção de 15 crianças por terem escrito frases contra o governo em um muro.

Na quarta-feira, o dia dos violentos confrontos, as forças de segurança ameaçaram invadir uma mesquita sob a justificativa de que ele estava sendo usada por gangues para estocar arma e transformar crianças em escudos humanos.

Centenas de pessoas se reuniram no local para impedir a invasão. Há relatos de que as forças de segurança dispararam indiscriminadamente contra a multidão, o que governo nega. O regime tem atribuído os atos de violência a "desordeiros" que desejam espalhar o pânico entre a população e prometeu investigar as mortes.

Segundo analistas, a onda de protestos é um dos maiores desafios enfrentados pelo presidente Bashar Al-Assad desde que ele assumiu o governo, no ano 2000.

Na tentativa de conter os protestos, na quinta-feira  o governo prometeu estudar a introdução de reformas políticas, entre elas o fim do estado de emergência, em vigor desde 1963. O governo também anunciou a libertação de todos os detidos desde o início dos protestos, na semana passada.

Com BBC e AP

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