Protestos deixam mais de 230 mortos na Líbia, diz ONG

Human Rights Watch estima centenas de mortos desde que as manifestações começaram, em 17 de fevereiro

iG São Paulo |

A Human Rights Watch, organização americana de defesa dos direitos humanos, afirmou nesta segunda-feira que os protestos contra o presidente da Líbia, Muamar Kadafi, deixaram ao menos 233 mortos desde 17 de fevereiro.

Pelo menos 60 vítimas foram registradas no domingo na cidade de Benghazi, que foi tomada pelos opositores. Eles invadiram bases das forças de segurança e roubaram armas, para depois celebrar sua vitória com um buzinaço.

No principal tribunal da cidade, a atual bandeira do país foi substituída pela antiga, da época da monarquia, encerrada em 1969 com o golpe militar que levou Kadafi ao poder.

Manifestantes antigoverno também saíram às ruas da capital, Trípoli, durante a madrugada desta segunda-feira, fazendo crescer a pressão sobre Kadafi, no poder desde 1969.

Os protestos em Trípoli começaram na noite de domingo. Segundo testemunhas, opositores tomaram a Praça Verde, no centro da cidade, e entraram em choque com forças de segurança e partidários de Kadafi. Manifestantes antigoverno também teriam tomado os prédios de duas emissoras estatais do pais.

Na manhã desta segunda-feira, era possível ver fumaça em pelo menos dois locais de Trípoli, onde estão localizadas uma delegacia de polícia e uma base das forças de segurança. Escolas, prédios do governo e lojas estão fechadas.

Discurso

Enquanto os confrontos na Praça Verde aconteciam, o filho de Kadafi, Saif el-Islam Kadafi, afirmou que seu pai e as forças de segurança combaterial a revolta popular "até o último tiro". Na tentativa de acalmar a população, o filho do líder líbio concedeu uma entrevista à TV estatal dizendo que o país está à beirra da guerra civil por causa de um "complô estrangeiro". Ele também prometeu reformas constitucionais para frear os protestos.

Manifestações pró-democracia vêm se espalhando por diversos países árabes e muçulmanos. Eles tiveram início na Tunísia em dezembro passado e provocaram a deposição do então presidente do país, Zine al-Abidine Ben Ali, no final de janeiro. Na semana passada, uma série de manifestações provocou a renúncia do presidente do Egito, Hosni Mubarak.

Nos últimos dias, também ocorreram protestos no Bahrein, que já deixaram três pessoas mortas, e manifestações no Irã, Argélia, Iêmen e Jordânia.

Com BBC, AP e Reuters

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