Protestos completam 4 meses e reúnem centenas de milhares na Síria

Segundo ativista, mais de 1 milhão de manifestantes saem às ruas em duas cidades; repressão do regime deixa 14 mortos

iG São Paulo |

Forças de segurança sírias mataram ao menos 14 manifestantes nesta sexta-feira, enquanto centenas de milhares voltaram às ruas de todo o país para exigir a renúncia do presidente Bashar al-Assad nas maiores manifestantes contra o regime desde o início dos protestos, que nesta quinta-feira completam quatro meses.

AP
Foto fornecida pela rede Shaam News Network mostra manifestantes antigoverno agradecendo a Shaam News e a rede Al-Jazeera por divulgar o levante na Síria
Em Hama, cenário de um massacre militar em 1982 , imagens transmitidas ao vivo por moradores mostravam uma enorme multidão na praça Orontos, a principal da cidade. "O povo quer derrubar o regime", gritavam os manifestantes, apesar da presença de tanques nos acessos à cidade.

Em uma significante mostra de força do levante, milhares de manifestantes participaram da mobilização na capital, Damasco, que até agora estava relativamente calma. Segundo os ativistas, as forças de segurança sírias dispararam contra manifestantes antigoverno na capital, Damasco, e em outras cidades. Há relatos de grandes manifestações também em Homs, Deraa e Deir Ezor.

"Mais de 1 milhão de manifestantes protestam em Hama e Deir Ezor. É uma mensagem às autoridades de que as manifestações se estendem em todo o país", declarou Rami Abdel Rahman, do Observatório Sírio dos Direitos Humanos.

O levante é o desafio mais ousado à dinastia de 40 anos da família Assad na Síria, um dos Estado mais autoritários do Oriente Médio. Assad, agora com 45 anos, herdou o poder em 2000. O governo deu início a um projeto de "diálogo nacional", mas muitos ativistas ainda pedem a renúncia do presidente. As sextas-feiras se tornaram o principal dia de protestos no país, após o momento das orações tradicionais.

De acordo com ativistas, a repressão do governo aos protestos deixou cerca de 1,6 mil mortos, a maioria sendo manifestantes desarmados. O governo contesta o número e culpa gangues e conspiradores estrangeiros pelo banho de sangue, afirmando que buscam semear uma guerra sectária no país.

*Com BBC, Reuters, AP e AFP

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