Protestos antigoverno deixam mortos no Iraque

Manifestações convocadas pela internet reúnem iraquianos em diversas cidades; choques com polícia deixam ao menos nove mortos

iG São Paulo |

Milhares de iraquianos saíram às ruas nesta sexta-feira em várias cidade num "Dia de Fúria" em protesto contra a corrupção e a falta de serviços básicos. As forças de segurança tentaram reprimir as manifestações e os choques deixaram ao menos cinco mortos nas cidades de Hawija e Mosul, na região norte do país. Na capital, Bagdá, também houve confrontos, mas não há informações sobre mortes.

De acordo com a BBC, os choques deixaram ao menos nove mortos. Já a Associated Press, afirma que em cidades do norte do país, ao menos 10 morreram, enquanto a província de Anbar, no oeste, foi palco de duas mortes.

Em Hawija, 240 quilômetros ao norte da capital, Bagdá, uma multidão tentou invadir o prédio da prefeitura. Para impedir a invasão, policiais abriram fogo. O Exército iraquiano foi chamado para controlar a situação.

Em Bagdá, manifestantes lotaram a Praça Tahrir e jogaram pedras em policiais que tentaram reprimir o protesto. A ponte Jumhuriya, perto dali, foi bloqueada, e veículos foram proibidos de circular na capital.

"Estamos aqui para mudar para melhor a situação do país. O sistema educacional é ruim. O sistema de saúde também é ruim. Os serviços vão de mal a pior", disse Lina Ali, 27 anos, que participa de um grupo juvenil de protesto no Facebook. "Não há água potável, não há eletricidade. O desemprego está crescendo, e isso pode empurrar os jovens para atividades terroristas".

"Queremos que o governo ouça nossas vozes, o governo que escolhemos. Eles deveriam oferecer serviços ao povo. Outros países estão pressionando pela mudança, então por que ficaríamos em silêncio?", completou.

Oito anos depois da invasão americana que depôs o presidente Saddam Hussein, o desenvolvimento no Iraque continua lento, e há escassez de alimentos, água, eletricidade e empregos.

Os protestos desta sexta-feira foram organizados principalmente por meio da rede social Facebook, a exemplo do que aconteceu com as manifestações que acabaram derrubando os governos da Tunísia e Egito nas últimas semanas.

Cidades grandes e pequenas do Iraque vêm registrando um aumento nos protestos desde o começo do ano. O primeiro-ministro Nuri al Maliki reafirmou o direito dos iraquianos a manifestações pacíficas, mas advertiu-os na quinta-feira de que não deveriam participar do "Dia de Fúria", alegando haver possibilidade de violência por parte da Al-Qaeda e do partido Baath, que apoiava Saddam.

Com Reuters

    Leia tudo sobre: iraqueprotestosmundo árabe

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG