Protestos alcançam bastião do regime no Iêmen

Passeata reúne 10 mil na cidade de Dhamar, reduto do presidente Ali Abdullah Saleh. Na capital, cerca de 50 ficaram feridos

Reuters |

Protestos pelo fim do governo de 32 anos do presidente Ali Abdullah Saleh se espalhavam nesta terça-feira por uma área tribal do Iêmen considerada como base política do regime. Na capital, polícia abriu fogo contra manifestantes e pelo menos 50 ficaram feridos.

Cerca de 10 mil manifestantes participaram de passeata na cidade de Dhamar, 60 quilômetros ao sul de Sanaa, afirmaram moradores pelo telefone. Dhamar é conhecida pelos laços com Saleh e é a cidade natal do primeiro-ministro, do ministro do Interior e do presidente do Supremo Tribunal do Iêmen.

"Saiam, saiam!", gritaram os manifestantes em Dhamar, apenas dois dias após um protesto semelhante de apoiadores do regime.

As manifestações contra a pobreza e a corrupção, além de uma série de deserções de aliados políticos e tribais de Saleh, colocaram pressão sobre o presidente para que renuncie ainda este ano. Ele promete ficar até o fim do mandato, em 2013.

"O que estamos vendo é cada vez mais pessoas começando a se cristalizar em torno dessa demanda única pela renúncia do presidente", disse o acadêmico Gregory Johnsen, especialista em Iêmen, da Universidade de Princeton.

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Mulheres participam de protestos na capital do Iêmen, Sanaa
Na capital Sanaa, a polícia do Iêmen abriu fogo contra manifestantes, ferindo segundo testemunhas pelo menos 50 pessoas que exigiam a renúncia do presidente. Pelo menos três feridos estão em estado grave e foram hospitalizados, segundo essas fontes. Policiais e agentes à paisana dispararam quando tentavam impedir que um grupo se juntasse a milhares de manifestantes acampados há semanas diante da Universidade de Sanaa, disseram testemunhas.

O governo não comentou o incidente.

A polícia levou jatos de água e colocou blocos de concreto em torno da universidade, que andava tranquila nos últimos dias, após semanas de violentos confrontos em todo o país envolvendo partidários do governo e manifestantes, em incidentes que causaram pelo menos 27 mortes.

O Iêmen, vizinho da Arábia Saudita, maior exportador de petróleo do mundo, já tinha dificuldades para sustentar o regime mesmo antes dos recentes protestos. Saleh lutava para consolidar uma trégua com os rebeldes xiitas no norte do país e enfrentava uma rebelião separatista no sul, ao mesmo tempo em que combatia um braço do grupo al-Qaeda sediado no país.

Na semana passada, Saleh rejeitou um plano da coalizão oposicionista que abriria caminho para reformas políticas e eleitorais e permitiria a renúncia do presidente em 2011. Em vez disso, ele aceitou uma reforma mais modesta, proposta por clérigos.

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