Promotoria expõe acusações contra Mubarak em audiência no Egito

Promotor-chefe disse que líder deposto passou os últimos dez anos no poder garantindo a sucessão de seu filho, Gamal

iG São Paulo |

O promotor-chefe fez uma severa avaliação do governo de Honsi Mubarak no tribunal do Egito nesta terça-feira, acusando o líder deposto de tirania e corrupção e acrescentando que ele devotou os últimos dez anos de suas três décadas no poder para garantir que seu filho iria sucedê-lo. A audiência acontece no mesmo dia da fase final das eleições parlamentares no país.

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AP
Ex-presidente egípcio Hosni Mubarak chega ao Tribunal do Cairo em maca hospitalar (02/01/2012)

O pronunciamento de Mustafa Suleiman pareceu destinado a dar um tom mais forte ao julgamento de Mubarak, seus dois filhos e outros oito réus, após cinco meses de audiências que foram, muitas vezes, adiadas e complicadas por procedimentos processuais e burocracias.

Tais procedimentos e atrasos frustraram muitos egípcios que esperavam por uma justiça rápida e clara contra Mubarak depois de sua deposição em 11 de fevereiro , sseguida de 18 dias de revoltas nas ruas contra seu governo.

Muitos demonstraram temer que os generais que tomaram o poder depois de Mubarak - e que tinham posições no antigo regime - não tenham interesse em condená-lo, e as denúncias do promotor contra o líder teriam apenas a intenção de acalmar essas preocupações.

"Ele merece terminar na humilhação e indignidade: Do palácio presidencial à jaula dos réus e, então, às mais duras penas", disse Suleiman, cujos comentários de uma hora de duração hipnotizaram a audiência, que acontece em um prédio da academia de polícia, que antes levava o nome do líder.

Mubarak, seu ex-chefe de segurança e outras figuras importantes da polícia são acusados de cumplicidade na morte de mais de 800 manifestantes na revolta, parte das manifestações da Primavera Árabe . Ele e seus filhos, Alaa e Gamal, seu então herdeiro, também enfrentam acusações de corrupção no mesmo tribunal.

Mubarak poderia ser condenado à pena de morte se for considerado que teve uma ligação direta com as mortes dos manifestantes.

A audiência desta terça-feira foi a primeira desde que o julgamento foi retomado em que a promotoria irá colocar seus argumentos contra Mubarak, e foi a primeira vez que o promotor-chefe falou no tribunal.

Suleiman disse que a corrupção do regime de Mubarak atingiu o pico em novembro e dezembro de 2010, quando autoridades realizaram aquela que foi vista como a mais fraudulenta eleição parlamentar do Egito desde que o Exército tomou o poder no golpe de 1952. O partido do governo de Mubarak teve uma vitória esmagadora e, segundo o promotor-chefe, os resultados dessa votação foram uma estratégia para garantir a transferência de poder para Gamal.

"Aqui temos um presidente que devotou a última década de seu governo para planejar algo que ninguém no Egito ousou fazer antes - a sucessão de seu filho", disse o promotor-chefe ao juiz Ahmed Rifaat, de costas à jaula em que estavam Mubarak e os outros réus.

Como vem acontecendo desde que começou o julgamento há cinco meses, o líder deposto de 83 anos chegou à corte em uma maca hospitalar. Seus fois filhos vestiam uniformes de prisioneiros. Os três escutaram atentamente enquanto Suleiman falava, mas não disseram uma palavra.

Gamal, filho de Mubarak, era um banqueiro que começou sua escalada para a política em 2000. Nos 18 dias da revolta, ele estava no comando do gabinete e do partido governista, com mais poderes que o primeiro-ministro.

Suleiman marcou Mubarak como um homem corrupto, cuja obsessão pelo poder manchará para sempre seu legado. Ele qualificou Mubarak como um presidente cujo destino lhe entrefou um trabalho que ele não lutou para conseguir - ele era vice-presidente de seu antecessor, Anwar Sadar (1970 - 1981), que foi assassinado em 1981 em um desfile militar. "Mas ele se recusou a abandonar o poder voluntariamente em resposta à vontade de seu próprio povo, por isso foi tirado à força."

Ele disse que Mubarak coloca seus interesses à frente dos da nação e permitiu que sua família e um círculo de assessores ditassem a política para ele durante os últimos dez anos. Suleiman acrescentou que Mubarak não aprendeu com o que aconteceu com seu antecessor. O líder deposto estava sentado ao lado de Sadat quando ele tomou o tiro.

Suleiman falou também sobre a esposa de Mubarak, Suzanne, por ser uma das principais defensoras de Gamal Mubarak para a presidência. "Sua mulher queria ser a mãe do presidente depois de ter sido a esposa do presidente", disse. "Eles não perceberam que o Egito não era um feudo."

Suzanne Mubarak foi detida por um breve período no ano passado por corrupção, mas seu tempo de prisão foi todo passado em um hospital. Ela foi libertada depois de pagar de volta os fundos estatais que era acusada de ter desviado.

Com AP

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