Procurador sírio nega ter sofrido pressão para renunciar

Adnan Bakkour desmente que tenha se demitido do cargo por causa de ameaças de 'terroristas', como divulgado por TV estatal

iG São Paulo |

O procurador-geral de Hama, na Síria, que anunciou sua renúncia em um vídeo exibido no YouTube e na TV Al Jazeera, negou nesta quinta-feira ter sido forçado a abdicar do seu posto.

AP
Adnan Bakkour apresenta sua renúncia em vídeo postado na internet
No vídeo de renúncia, o procurador Adnan Bakkour afirma que estava renunciando a seu cargo devido à repressão violenta praticada pelo governo do presidente Bashar al-Assad e por ter testemunhado "crimes contra a humanidade" cometidos por tropas sírias - incluindo a morte de 72 prisioneiros em um dia.

Mas a emissora estatal síria, Sana, afirmou que Bakkour gravou o depoimento quando foi sequestrado, no dia 29 de agosto, por ''grupos terroristas armados'' e que as declarações dele foram feitas sob a mira de armas e são falsas.

O procurador se defendeu em um novo vídeo, no qual afirma: ''Eu renunciei em protesto contra as práticas bárbaras do regime contra manifestantes pacíficos. Relatos feitos pela TV síria de que eu fui sequestrado por grupos armados são completamente falsos. Estou sendo protegido pelas famílias de alguns revolucionários. Estou bem e com saúde''.

Akkour, que diz ainda estar na Síria, comentou também que foram forças do governo que tentaram sequestrá-lo, após ele ter gravado o vídeo que ganhou fama entre os dissidentes do regime.

Nas imagens que foram divulgadas originalmente, o procurador afirma: ''Sou o procurador-geral do governo de Hama, Adnan Bakkour, e estou anunciando minha renúncia devido ao regime de Assad e suas gangues''.

Ele acrescenta: "Vou resumir minhas razões para renunciar: Em primeiro lugar, a morte de 72 pessoas na prisão central de Hama, no domingo, 31 de julho, inclusive a de manifestantes pacíficos e de ativistas políticos". Em seguida ele cita práticas de tortura, prisões arbitrárias e enterros de centenas de vítimas em valas comuns.

Uma fonte oficial síria afirmou, na agência Sana, que a fala do ex-procurador é uma "mentira sobre práticas completamente falsas" e voltou a dizer que as declarações foram feitas sob pressão de opositores de Assad.

Cúpula em Paris

A renúncia de Bakkour ocorre enquanto tropas e tanques realizaram uma operação em casas de Hama, em busca de ativistas responsáveis pelos protestos antigoverno, segundo afirmam residentes. A ONU afirma que mais de 2,2 mil pessoas já foram mortas na Síria desde que os protestos por reformas democráticas começaram, em março.

Nesta quinta-feira, durante uma cúpula internacional sobre a Líbia , líderes de EUA, Reino Unido e França pediram ações mais duras contra a Síria, incluindo uma nova rodada de sanções.

"A brutalidade do presidente Assad contra cidadãos desarmados ultrajou a região, o mundo e, mais importante, o próprio povo sírio", afirmou a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, em Paris.

Hillary manteve reuniões bilaterais sobre a Síria com o presidente da França, Nicolas Sarkozy, o chanceler turco, Ahmet Davutoglu, e o chanceler britânico, William Hague.

"A Síria deve ter liberdade para seguir adianta. Os países que se uniram aos EUA nessa pelo precisam traduzir a retórica em ações concretar para aumentar a pressão em Assad e os que estão com ele", afirmou a secretária americana. "Isso inclui sanções fortes contra o setor de energia que impeçam o regime de conseguir o dinheiro que financia sua campanha de violência."

Com BBC e AP

    Leia tudo sobre: bashar al-assadsíriaeuafrançamundo árabe

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG