Procurador do TPI calcula que Kadafi pode ser preso em até 3 meses

Segundo Ocampo, tempo depende de vontade do Executivo interino da Líbia; rebeldes tomam controle de depósito de munições

iG São Paulo |

AFP
O procurador-geral do Tribunal Penal Internacional, Luis Moreno Ocampo, anuncia pedidos de prisão para líder líbio, Muamar Kadafi, em Haia em 16 de maio
O procurador-geral do Tribunal Penal Internacional (TPI), Luis Moreno Ocampo, calculou nesta terça-feira que a detenção do líder líbio, Muamar Kadafi, pode não demorar mais do que dois ou três meses, levando em conta a vontade do Executivo interino da Líbia de capturar o governante.

"Não penso que teremos de esperar muito, talvez dois ou três meses", disse Ocampo em coletiva concedida após anunciar que representantes do governo interino da Líbia, dirigido pelos opositores ao regime, expressaram sua "vontade de realizar a prisão".

O procurador-geral reconheceu que há uma "urgente necessidade" de uma negociação na Líbia para encerrar o conflito civil que o país vive desde as revoltas insurgentes iniciadas em fevereiro, mas advertiu que essas discussões "têm limites" e devem respeitar "as decisões da ONU e dos juízes do TPI".

Ocampo instou as autoridades de Trípoli que cumpram a ordem de detenção, já que "podem escolher entre ser parte do problema, e se arriscar a uma perseguição, ou ser parte da solução". Além disso, lembrou as autoridades líbias de que, embora não façam parte do Estatuto do TPI, devem cumprir os mandatos do Conselho de Segurança da ONU, que é quem remeteu o caso da Líbia à procuradoria da corte.

"Se Kadafi viajar para um Estado (do TPI), será detido", afirmou Ocampo, que lembrou que seu escritório continua investigando supostos crimes na Líbia, como encobrimento de delitos e estupros .

Os juízes do TPI ordenaram na segunda-feira a prisão de Kadafi , de seu segundo filho, Saif al-Islam, e seu cunhado Abdullah al-Senusi, que é o chefe da espionagem do regime. No entanto, como o TPI não possui uma estrutura policial, depende dos Estados para executar as ordens de detenções contra seus processados. Ocampo havia pedido em 16 de maio que os juízes emitissem ordens de prisão contra os três.

A Líbia reagiu à ordem de prisão ignorando a autoridade da corte internacional . "A Líbia não aceita as decisões do TPI, que é uma ferramenta do mundo Ocidental para julgar líderes do Terceiro Mundo", afirmou o ministro da Justiça líbio, Mohammed Al-Qamoodi, em Trípoli.

Avanço rebelde

Nesta terça-feira, os rebeldes líbios assumiram o controle de um importante depósito de munições em uma zona desértica 25 quilômetros ao sul de Zenten, a 120 quilômetros ao sul de Trípoli.

Os rebeldes chegaram com blindados às 9 horas locais (4 horas de Brasília) pelo norte e se mobilizaram ao redor da instalação de vários quilômetros quadrados, onde há dezenas de edifícios com reservas de armas. Ao mesmo tempo, as forças do regime de Kadafi tentaram enviar reforços pelo sul. Um confronto, com uso de metralhadoras e foguetes do tipo Grad, foi registrado.

Segundo os rebeldes, uma coluna de veículos das forças leais a Kadafi caiu em uma emboscada, e três deles foram destruídos. Uma enorme coluna de fumaça negra e chamas saíam do depósito de munições. Moradores da região celebraram a saída das tropas leais a Kadafi.

A tomada do depósito de armas é uma vitória estratégica importante para os rebeldes, que precisam de armas e munições para prosseguir com o avanço para a capital, Trípoli. O depósito de armas já havia sido bombardeado várias vezes nos últimos dois meses pelos aviões da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

*Com AFP e EFE

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