Primavera Árabe custou mais de US$ 55 bilhões, estima relatório

Os levantes foram prejudiciais para Líbia, Síria e Egito, enquanto PIB de alguns países produtores de petróleo teve aumento

iG São Paulo |

As rebeliões populares que varreram o norte da África e o Oriente Médio esse ano - conhecidas como Primavera Árabe - custaram para a região mais de US$ 55 bilhões, informou um relatório divulgado nesta sexta-feira.

Reuters
Forças leais ao CNT são vistas chegando a Sirte, umas das cidades importantes para o ex-líder Kadafi (8/10)

O documento, produzido pelo grupo de consultoria Geopolicity com base em uma análise estatística de dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), garante que a Líbia , a Síria e o Egito são os países que pagarão a maior parte da conta. Em seguida, vêm Tunísia , Bahrein e Iêmen.

No entanto, de acordo com a BBC, o relatório deixa claro que esse custo da Primavera Árabe em 2011 não é preciso. "Muitos indicadores econômicos estão indisponíveis e a situação é muito fluida", afirma o texto.

Juntos, esses países viram US$ 20,6 bilhões serem eliminados do seu Produto Interno Bruto (PIB), além de sofrerem prejuízos de US$ 35,3 bilhões nas suas contas públicas, por causa da redução da arrecadação e dos aumentos de gastos.

Enquanto isso, grandes produtores de petróleo, como Emirados Árabes, Arábia Saudita e Kuwait, conseguiram evitar protestos significativos - até porque puderam aumentar a distribuição de renda, como resultado da alta nos preços do petróleo. Para esses países, o PIB cresceu. No começo do ano, o barril do petróleo tipo Brent era negociado a cerca de US$ 90. Chegou a quase US$ 130 em maio, para cair aos US$ 113 atuais.

"Como resultado, o impacto geral da Primavera Árabe em todo o mundo árabe foi ambíguo, mas positivo em termos agregados", afirmou o relatório, estimando que até setembro a produção econômica da região teve alta de US$ 38,9 bilhões, em relação ao mesmo período do ano anterior.

A Líbia parece ter sido o país mais afetado , já que a guerra civil paralisou a atividade econômica - inclusive as exportações de petróleo - num valor estimado em US$ 7,7 bilhões, ou 28 por cento do PIB. O custo total para as contas públicas foi estimado em US$ 6,5 bilhões. No Egito, nove meses de turbulências corroeram 4,2 por cento do PIB. Os gastos públicos cresceram para US$ 5,5 bilhões, enquanto a arrecadação teve uma queda de US$ 75 milhões.

Na Síria, onde ainda há uma violenta repressão governamental aos protestos , o impacto é mais difícil de avaliar, mas os primeiros indícios sugerem um custo total para a economia de US$ 6 bilhões, ou 4,5 por cento do PIB.

No Iêmen, o relatório estima que a parcela da população abaixo da linha da pobreza deve ultrapassar 15 por cento, devido à desvalorização cambial e aos prolongados distúrbios. O custo total para a economia foi avaliado em 6,3 por cento do PIB, com uma deterioração de US$ 858 milhões de dólares no equilíbrio fiscal, ou 44,9 por cento do PIB.

A Tunísia, berço da revolta árabe e primeiro país da região a depor o seu governo, teve prejuízos em torno de US$ 2 bilhões, ou cerca de 5,2 por cento do PIB. O impacto aconteceu em praticamente todos os setores econômicos, incluindo turismo, mineração e pesca. O governo aumentou seus gastos públicos em cerca de US$ 746 milhões, deixando um rombo em torno de US$ 489 milhões nas contas públicas.

Com Reuters

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