Presidente sírio promete nova Constituição em até 4 meses

Bashar al Assad, editou decreto para a criação de um comitê que irá elaborar o texto; protestos contra o regime continuam

iG São Paulo |

O presidente sírio, Bashar al Assad, emitiu um decreto anunciando a formação de um comitê que elaborará em um prazo de quatro meses um projeto de nova Constituição para o país, anunciou neste sábado a agência oficial Sana. A elaboração de uma nova Constituição era uma das principais reivindicações da oposição quando foi iniciada uma rebelião em 15 de março contra Assad.

Assad "emitiu hoje um decreto presidencial estipulando a formação de um comitê nacional para elaborar um projeto de Constituição para a Síria, para que seja aprovada segundo as regras constitucionais", segundo Sana. "O comitê concluirá sua missão em um período que não superará os quatro meses", disse a agência.

Reuters
Na Jordânia, manifestantes protestam em frente à sede da ONU contra o regime sírio

O anúncio ocorre um dia depois de novas manifestações contra o regime, das quais participaram milhares de sírios. Doze pessoas morreram durante os protestos. Desde março, mais de 3 mil civis morreram em decorrência da repressão à revolta, segundo a ONU.

Novos protestos contra o regime eclodiram neste sábado. Em frente ao escritório das Nações Unidas em Amã, capital da Jordânia, manifestantes contestavam o veto da Rússia e da China a um projeto de resolução do Conselho de Segurança da ONU que condenaria a repressão dos protestos no país. Os manifestantes gritavam palavras de ordem e levavam cartazes que pediam a derrocada de al Assad e o julgamento dos dirigentes sírios por "crimes contra o povo e violações do direito internacional e valores religiosos". Os participantes da concentração expressaram apoio à revolução na Líbia e disseram que Assad deveria ter o mesmo destino que o foragido líder líbio, Muammar Kadafi.

Apelo

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu nesta sexta-feira a Assad que acabasse imediatamente com o "banho de sangue" que vive a Síria, onde o organismo estima mais de 3 mil mortos desde o início da repressão em março, entre elas pelo menos 187 crianças.

França, Reino Unido, Alemanha e Portugal apresentaram na semana passada um projeto de resolução para condenar o regime sírio. O texto não incluía a imposição de sanções, mas ameaçava com ações concretas caso a repressão continuasse.

Durante a votação, Rússia e China se opuseram ao texto e exerceram seu poder de veto como membros permanentes do Conselho, enquanto os representantes de Brasil, Índia, África do Sul e Líbano se abstiveram.

Desde o início da repressão na Síria, o Conselho de Segurança não conseguiu aprovar uma resolução de condenação ao regime de Damasco, mas adotou em agosto uma declaração presidencial - texto de menor impacto - na qual condenou a repressão de Assad. A Jordânia se transformou em refúgio para inúmeros sírios que fogem da repressão em seu país, mas o Governo de Amã não divulgou números oficiais a respeito.

Com AFP e EFE

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