Presidente do Irã pede que aliada Síria negocie com oposição

Declaração indica preocupação de Ahmadinejad com queda do regime de Assad, que enfraqueceria o país no Oriente Médio

iG São Paulo |

AFP
Imagem de vídeo amador publicado no YouTube mostra manifestação anti-governo em Damasco (09/09)
O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, pediu ao governo da aliada Síria que dialogue com a oposição, num sinal da preocupação do governo iraniano com o movimento que há cinco meses exige o fim do regime do presidente sírio, Bashar Al-Assad.

Em entrevista concedida na quarta-feira à emissora portuguesa RTP, Ahmadinejad disse que a repressão militar "nunca é a solução correta", segundo relato feito pela agência de notícias iraniana Fars.

"Os governos têm de respeitar e reconhecer os direitos das suas nações à liberdade e à Justiça. Os problemas precisam ser resolvidos por meio do diálogo", afirmou Ahmadinejad, acrescentando que “os países da região podem ajudar a Síria” a resolver a crise.

Para o analista Hossein Heshmati, as declarações de Ahmadinejad mostram preocupação com um eventual colapso do regime de Assad.“Isso enfraqueceria a posição de Teerã no Oriente Médio contra rivais muçulmanos sunitas como a Arábia Saudita", afirmou à Reuters.

No mês passado, o chanceler iraniano, Ali Akbar Salehi, tinha dito que Assad precisa atender às reivindicações do seu povo. Porém, ao contrário de autoridades de outros países da região, ele não criticou o uso da força na repressão aos protestos. Em 2009, o Irã reprimiu com violência manifestações contra a polêmica reeleição de Ahmadinejad.

A boa relação com o Irã é fundamental para o regime de Assad, que enfrenta a situação de maior isolamento internacional nos 40 anos em que sua família está no poder. Os EUA e outros países acusam o Irã de estar ajudando Assad na repressão à dissidência.

No mês passado a União Europeia impôs sanções contra integrantes da Guarda Revolucionária iraniana, acusando-os de fornecer "assistência técnica, equipamento e apoio aos serviços de segurança da Síria para reprimir movimentos de protesto".  O Irã nega a acusação e acusa os EUA e seus aliados de instigarem as manifestações anti-Assad.

Na terça-feira, o secretário de Defesa dos EUA, Leon Panetta, disse que uma revolução no Irã é apenas questão de tempo, e que o movimento reformista iraniano está aprendendo as lições das revoltas na Tunísia, Egito, Líbia e Síria.

A ONU afirma que mais de 2,2 mil pessoas já foram mortas na Síria desde que os protestos por reformas democráticas começaram, em março.

Com Reuters e AP

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