Presidente do Iêmen deixa o país para tratamento médico

Saleh saiu em direção aos EUA para se tratar de ferimentos adquiridos após ataque; em discurso de despedida, pediu perdão

iG São Paulo |

O presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, deixou o país neste domingo em direção aos Estados Unidos, onde realizará tratamento médico, disseram autoridades do país árabe. Em um "discurso de despedida" transmitido pela televisão, ele pediu perdão por "quaisquer problemas" causados em seus 33 anos de poder.

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AP
Presidente iemenita Ali Abdullah Saleh conversa com repórteres do país em Sanaa

Porém, em um sinal de que seu papel no governo do Iêmen está longe de ter chegado ao fim, ele afirmou que após ser tratado nos EUA, retornaria ao país árabe antes das eleições presidenciais do mês que vem para chefiar seu partido.

Uma autoridade do governo de Barack Obama afirmou que o líder deposto do Iêmen foi informado com clareza de que seu período de permanência nos Estados Unidos deve ser curto e com fins unicamente médicos. O oficial, que não estava autorizado a dar informações à mídia, não disse quando Saleh deve chegar ao país. O iemenita pediu o visto para viajar aos EUA no mês passado .

Apesar de ter assinado um acordo no ano passado para transferir os poderes para seu vice-presidente, Saleh continuou a exercer autoridade nos bastidores, provocando acusações de que ele planejaria voltar ao poder. Enquanto isso, a Al-Qaeda tirou vantagem da instabilidade política para ampliar sua presença em um dos países mais pobres da região.

O porta-voz da presidência Ahmed al-Soufi afirmou à agência Associated Press que Saleh deixou a capital Sanaa no domingo em um jato com direção a Omã. Ele não disse quanto tempo Saleh pretende ficar em Omã, mas acrescentou que ele faria "outra parada antes de ir aos EUA".

A partida de Saleh pode ajudar a impulsionar um acordo apoiado pelos EUA e mediado por poderosos vizinhos do Iêmen no Golfo Pérsico que busca por fim à crise política do país, que começou há quase um ano, com protestos em massa inspirados por levantes em outras partes do mundo árabe.

No acordo, Saleh concordou em transferir o poder para o seu vice em troca de imunidade judicial . O vice-presidente Abed Rabbo Mansour Hadi pode ser oficializado como novo líder do país nas eleições de 21 de fevereiro, nas quais ele deve ser o único candidato.

Em seu pronunciamento feito antes da saída no domingo, Saleh disse que planejava viajar aos EUA para se tratar de ferimentos adquiridos depois que seu palácio foi alvo de um ataque no ano passado. Ele também disse que tinha intenção de retornar ao país antes das eleições.

O governo Obama considera a saída do Saleh um passo importante para que as eleições ocorram de fato em fevereiro. Alguns membros do governo apresentaram preocupações de que a permissão para Saleh entrar no país poderia suscitar críticas no mundo árabe. Para se proteger disso, os EUA afirmaram que vão garantir que ele não ficaria no país depois do tratamento.

O presidente, que governou o país por mais de 33 anos, já havia deixado seu país durante a revolta para realizar tratamento médico. Logo após o ataque, ele foi a Arábia Saudita e retornou ao Iêmen poucos meses depois.

Com AP

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