Presidente do Iêmen decreta estado de emergência no país

Anúncio feito por Ali Abdullah Saleh ocorreu depois de ao menos 46 terem morrido por disparos de franco-atiradores

iG São Paulo |

Reuters
Manifestante carregam homem ferido durante protestos antigoverno em Sanaa, no Iêmen

O presidente iemenita, Ali Abddullah Saleh, decretou nesta sexta-feira estado de emergência no país depois de ao menos 46 mortos e mais de 100 feridos por disparos de armas de fogo contra uma manifestação popular na capital Sanaa.

Segundo testemunhas, franco-atiradores do regime atiraram contra os manifestantes de oposição a partir dos telhados dos edifícios próximos à Praça da Universidade, palco de protestos que exigem a saída de Saleh desde meados de fevereiro.

Dentre as vítimas dos disparos contra a manifestação, três são crianças, segundo fontes médicas que trabalham em um hospital improvisado no local. Trata-se da resposta mais violenta do presidente Saleh, no poder há 32 anos, aos protestos que acontecem há mais de um mês. Outras manifestações reuniram milhares nas cidades de Taiz e Adan.

Auxiliadas por partidários do governo, as forças de segurança também usaram balas de borracha, bombas de gás, paus, facas e pedras contra os manifestantes. Pouco antes dos disparos serem feitos, um helicóptero militar sobrevoou a praça, enquanto os manifestantes chegavam ao local, após as orações de sexta-feira.

Por causa da onda de protestos, inspirados em revoltas que derrubaram os governos de Tunísia e Egito, Saleh prometeu realizar reformas nas leis eleitorais e deixar o cargo em 2013. Ele se recusa, porém, a renunciar.

"Não aos golpes e a tomar o poder por meio da anarquia e do assassinato. Vocês querem que o regime vá embora - então venham e se livrem dele por meio das urnas", afirmou, no mês passado.

Manifestações pró-democracia vêm se espalhando por diversos países árabes e muçulmanos. Eles tiveram início na Tunísia em dezembro passado e provocaram a deposição do então presidente do país, Zine al-Abidine Ben Ali, no final de janeiro. Em fevereiro, uma série de manifestações provocou a renúncia do presidente do Egito, Hosni Mubarak.

AP
Manifestantes carregam ferido em local de confronto na capital do Iêmen, Sanaa

*Com EFE, AFP e AP

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