Presidente do Iêmen assina acordo de transferência de poder

Vice de Saleh vai assumir o governo dentro de 30 dias e terá que formar governo para convocar eleições presidenciais em três meses

iG São Paulo |

Reuters
Presidente Ali Abdullah Saleh durante seu discurso em uma TV estatal (8/10)
O presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, assinou nesta quarta-feira, durante cerimônia realizada na Arábia Saudita, um acordo proposto pelo Conselho de Cooperação do Golfo para tranferir o poder para seu vice-presidente em troca de imunidade judicial.

Leia também: Saleh chega a Arábia Saudita para assinar acordo

Uma emissora saudita presente no local mostrou um Saleh sorridente sentado ao lado do rei saudita Adullah no palácio real localizado na capital do país, Riyadh, enquanto rubricava quatro cópias do acordo.

O acordo exige que a transferência de poder para o vice de Saleh, Abed Rabbo Mansour Hadi, ocorra dentro de 30 dias. É esperado que Hadi forme um governo de unidade nacional e convoque eleições em um prazo de 90 dias.

O líder de 69 anos - que governava o Iêmen desde 1978 - enfrentava protestos que pediam sua saída do poder desde o começo do ano, no contexto da Primavera Árabe , que provocou revoltas em países do Oriente Médio e norte da África.

Saleh desembarcou na Arábia Saudita nesta quarta-feira , com a promessa de que iria, de fato, assinar o documento. Ele havia prometido por repetidas vezes que transferiria o poder, mas mudava de ideia nos últimos instantes, o que provocou ceticismo que ele o faria dessa vez.

Depois de assinar o acordo, Saleh afirmou que irá cooperar plenamente com o governo de unidade nacional proposto para seu país, que incluirá a oposição. O presidente iemenita falou sobre o custo da revolta, mas não fez nenhuma menção às reivindicações dos manifestantes que pediam sua saída.

Em vez disso, ele se referiu aos protestos como um "golpe" e qualificou o bombardeio contra seu palácio que o deixou seriamente ferido como "um escândalo".

Em junho, Saleh sobreviveu ao ataque em Sanaa e viajou a Arábia Saudita para tratamento médico, retornando ao Iêmen em setembro .

De acordo com a BBC, foram registrados confrontos em Sanaa entre tropas pró-Saleh e homens armados leais ao chefe dissidente Sadiq al-Ahmar.

Um oficial do governo iemenita disse que ainda não estava claro quais seriam os próximos passos do líder após a confirmação da assinatura. "Tudo é imprevisível com Saleh", disse à CNN, em condição de anonimato. "Pelo menos por agora, faz sentido que ele permaneça na Arábia Saudita por algum tempo."

Segundo a agência EFE, no entanto, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon teria conversado com Saleh ao telefone na terça-feira e o iemenita havia dito que receberá tratamento médico em um hospital de Nova York, nos EUA, após assinar a iniciativa do Conselho de Cooperação do Golfo.

De acordo com um porta-voz do embaixador do Iêmen em Washington, que falou à CNN antes da assinatura do acordo, a transferência do poder executivo ao vice-presidente Abdo Rabu Mansour Hadi seria "efetivada imediatamente" assim que Saleh assinasse a iniciativa proposta pelo Conselho de Cooperação do Golfo.

"Esse acordo momunental trará um fim aos longos dez meses de distúrbios no país", afirmou, em comunicado, Mohammed Albasha.

O que começou como um pacífico movimento contra o presidente Saleh evoluiu em meses para um confliito armado entre diferentes tribos e milícias. Cinco ou seis províncias já não estão mais sob o controle do governo.

A revolta deixou centenas de mortos e milhares de feridos no Iêmen

Com AP e BBC

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