Presidente deposto da Tunísia é sentenciado a 35 anos à revelia

Ben Ali e sua mulher, Leila Trabelsi, são foragidos da Justiça desde que protestos forçaram sua fuga à Arábia Saudita em janeiro

iG São Paulo |

O ex-presidente tunisiano Zine El Abidine Ben Ali, forçado a renunciar em 14 de janeiro em meio a protestos populares, e sua mulher, Leila Trabelsi, foram condenados à revelia a 35 anos de prisão nesta segunda-feira. A sentença foi anunciada após o início do julgamento no tribunal de primeira instância da capital da Tunísia, Túnis, em um ambiente tenso e com grande presença do público dentro e fora da sala.

Ben Ali e sua mulher são foragidos da Justiça desde o dia da renúncia, quando deixaram o país e refugiaram-se na Arábia Saudita. As autoridades transitórias da Tunísia se mobilizaram desde sua fuga do país para tentar detê-lo e extraditá-lo.

Antes do anúncio da sentença, Ben Ali, que era acusado de homicídio, abuso de poder, complô contra a segurança do Estado, desvio de recursos e lavagem de dinheiro, afirmou que não abandonou seu cargo nem fugiu, tendo deixado o país "enganado" por um chefe de segurança.

Em um comunicado emitido nesta segunda-feira, o ex-chefe de Estado disse que o diretor-geral encarregado de sua segurança, Ali El Siriati, afirmou em 14 de janeiro que iriam assassiná-lo e que o palácio presidencial estava cercado. "Saí enganado da Tunísia", disse.

"Ali El Siriati insistiu em acompanhar minha família a Jeddah (Arábia Saudita) por algumas horas para que os serviços de segurança pudessem liquidar com o complô e garantir minha segurança", afirmou. "Então tomei o avião com minha família, mas, depois de nossa chegada a Jeddah, o avião voltou para a Tunísia sem me esperar, contrariando minhas ordens diretas. Fiquei em Jeddah contra minha vontade. Mais tarde, foi anunciado que havia fugido da Tunísia."

O advogado de Ben Ali, o libanês Akram Azuri, afirmou, no entanto, que "isso não quer dizer que Ben Ali ainda se considere presidente da Tunísia".

Além da jurisdição civil, Ben Ali deve ser processado diante de um tribunal militar por 35 dos 93 delitos dos quais é acusado, como anunciou há poucos dias o chefe do governo provisório tunisiano, Beji Kaid Essebsi.

Ben Ali negou todas as acusações, segundo um comunicado divulgado por um de seus advogados na véspera em Beirute. O presidente deposto afirmou que nunca teve as quantias de dinheiro encontradas em sua residência, que as armas localizadas são fuzis de caça presentes de chefes de Estado e jamais usou ou possuiu entorpecentes.

Os protestos que levaram à queda de Ben Ali começaram em dezembro, depois que o jovem Mohamed Bouazizi ateou fogo ao próprio corpo na localidade de Sidi Bouzid para protestar contra os maus-tratos das autoridades locais e da polícia. O episódio deu início aos protestos contra o governo que se estenderam como pólvora até a queda do regime de Ben Ali e sua fuga à Arábia Saudita.

A revolta, batizada de "a Revolução do Jasmim", acabou com ao menos 300 mortos e serviu de exemplo aos protestos similares em outros países africanos e do Oriente Médio conhecidos como "a Primavera Árabe ".

*Com AFP e EFE

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