Presidente da Tunísia nomeia líder islâmico para cargo de premiê

Hamadi Jebali, número dois do partido Ennahda, deverá formar o novo gabinete e apresentá-lo para a Assembleia

iG São Paulo |

O presidente tunisiano, Moncef Marzouki, designou oficialmente nesta quarta-feira o secretário-geral do partido islâmico moderado Ennahda, Hamadi Jebali, como o novo primeiro-ministro, em cerimônia realizada no palácio presidencial de Cartago.

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AFP
Presidente Moncef Marzouki (esq) se encontra com Hamadi Jebali, nomeado primeiro-ministro

Jebali, que conta com o apoio da maioria parlamentar, deverá formar um novo gabinete que, segundo fontes próximas ao partido, será composto por membros de sua legenda e de dois aliados na Assembleia Constituinte, o Conselho para a República e o Ettakatol.

O novo chefe do governo, Hamadi Jebali, 62 anos, é o número dois do partido Ennahda, formado em engenharia e uma figura histórica do islã político tunisiano. De acordo com a Constituição transitória aprovada pela Assembleia no último dia 11, o nome oficial do cargo é presidente do Conselho de Ministros.

Os três partidos que tiveram mais votos nas eleições parlamentares selaram uma aliança parlamentar no dia 21 de novembro e acordaram que a presidência do Estado recairia no CPR, a liderança da Assembleia no Ettakatol e a chefia do governo no Ennahda.

As atribuições desses três primeiros postos parlamentares, assim como a votação da nova Carta Magna e a convocação de eleições estão na Constituição provisória de 26 artigos aprovada a madrugada de domingo e que abriu as portas à eleição do presidente e do chefe do governo.

De acordo com o novo sistema, o poder executivo estará centrado no primeiro ministro, que tem três semanas para apresentar suas escolhas à Assembleia, para assim, receber a aprovação.

Samir Dilou, um membro proeminente do Ennahda, afirmou que o novo governo interino deverá ser formado até o final da semana, para poder enfrentar o mais rápido possível os problemas econômicos que assolam o país.

Por enquanto, o governo interino formado após a renúncia do presidente Zine Abidine Ben Ali, vai gerir os negócios do Estado. Os tunisianos derrubaram Ben Ali em janeiro, dando início a uma onda de protestos que varreu países do norte da África e do Oriente Médio, chamada de Primavera Árabe.

Distribuição dos ministérios

Uma fonte do Ennahda, que conta com 89 das 217 cadeiras na Assembleia, afirmou à Agência EFE que o partido islâmico dirigirá os ministérios do Interior, Relações Exteriores e Justiça no próximo governo.

Segundo a fonte, o novo Executivo contará com 26 pastas, 11 das quais irão para o Congresso para a República (CPR), que conta com 29 parlamentares, e o Ettakatol, que conquistou 20 legisladores nas eleições de 23 de outubro.

A fonte consultada pela EFE afirmou que o Ministério do Interior será dirigido por Ali Laaridi e o de Justiça pelo advogado Nureddín el Behyri, fundadores históricos e membros do comitê político da Ennahda.

Além disso, o Ministério de Relações Exteriores deve ficar sob responsabilidade de um jovem diretor do canal de televisão Al Jazeera, Rafik Ben Abdelsalem, genro do líder máximo da Al-Nahda, Rachid Gannuchi. O Ministério da Defesa Nacional é o único que, provavelmente, de acordo com a fonte, não mudará de titular. Continuará nas mãos de um militar, o atual ministro, Abdelkrim Zbidi.

Deverá ser criado um novo ministério, desligado do de Justiça e denominado Ministério de Direitos Humanos e de Mártires e Feridos da Revolução, dirigido pelo advogado Samir Dilu, que deverá assumir ao mesmo tempo o cargo de porta-voz do governo. Mais uma possível novidade é o Ministério de Emigração, que segundo a fonte será dirigido por Houssin Jaziri, atualmente residente na França.

Outras personalidades históricas da Ennahda dirigirão os ministérios da Saúde, Abdellatif el Mekki; Ensino Superior, Moncef ben Salem e Agricultura, Med ben Salem.

O Ministério do Turismo e Comércio, também se desdobrará em dois, de acordo com a fonte: Turismo será administrado por um integrante do Ettakatol, enquanto Comércio ainda não tem titular definido.

O Ettakatol, o parceiro mais fraco da coalizão, deverá contar além disso com as pastas de Transporte, que deverá estar nas mãos de Adel Dalil, Assuntos Sociais, que com Khalil Zaouia, Finanças, administrada por Adel Hajj Chuija, e da Mulher, com Sihem Badi. Já o Ministério de Assuntos Religiosos deverá ser dirigido por uma personalidade independente, Nuredín Jademi.

O segundo partido em número de deputados dentro da Assembleia Constituinte, o CPR deverá se encarregar do Ministério da Reforma Administrativa, com o advogado Mohammed Abbou como ministro, e do de Juventude e Esportes, com Iqbel Saddani.

Além disso, o agrupamento deverá controlar o estratégico Ministério de Indústria e Energia.

Outra importante novidade, segundo a fonte ouvida pela EFE, é a designação do histórico fundador do islã político tunisiano e antigo dirigente da Ennahda, o advogado Abdelfatah Moro, como ministro Conselheiro Especial do Primeiro-ministro.

Com EFE e AP

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