Presidente adverte contra intervenção militar externa na Síria

Na quarta aparição em cinco meses de protestos, Assad subestima pressão estrangeira para renunciar, dizendo que ela é 'sem valor'

iG São Paulo |

O presidente da Síria, Bashar al-Assad, disse neste domingo que seu regime não está sob perigo de cair, advertindo contra qualquer intervenção militar estrangeira em seu país. O alerta foi feito enquanto seu governo tentar reprimir um levante popular que dura cinco meses.

AP
Imagem reproduzida de TV mostra presidente sírio, Bashar al-Assad, dando entrevista à TV estatal
Em sua quarta aparição pública desde o início da revolta contra o governo de 40 anos de sua família, em meados de março, Assad insistiu que as forças de segurança vêm obtendo avanços contra os manifestantes.

"Pode parecer perigoso, mas na verdade somos capazes de lidar com isso", disse em uma entrevista de 40 minutos transmitida pela TV. Essa foi a primeira vez em que ele aceitou ser questionado sobre o assunto, embora a rede de TV estatal seja porta-voz do regime.

O líder sírio está sob crescente pressão depois de lançar uma ofensiva militar brutal com tanques, franco-atiradores e barcos militares para tentar conter os protestos. Na quinta-feira, os EUA e seus aliados europeus reivindicaram que ele renuncie . No sábado à noite, a ex-aliado Turquia caracterizou a situação na Síria de "insustentável".

Neste domingo, ele subestimou as críticas feitas na semana passada pelo presidente americano, Barack Obama, caracterizando-as como "sem valor". "Nós dizemos a eles que suas palavras são sem valor", declarou Assad. "Essas declarações não deveriam ser feitas sem um presidente que foi escolhido pelo povo sírio e que não foi colocado no gabinete pelo Ocidente, um presidente que não foi feito nos EUA."

Grupos de direitos humanos e testemunhas acusam as tropas sírias de disparar indiscriminadamente em manifestantes desarmados, afirmando que a repressão deixou mais de 2 mil mortos.

Na entrevista, Assad também disse que espera uma eleição parlamentar para fevereiro de 2012, juntamente com uma série de reformas que levariam outros grupos políticos, além de seu Partido Baath, a participar das decisões no país.

É improvável que as declarações de Assad tenham alguma ressonância na oposição síria, que diz ter perdido toda a confiança nos acenos de Assad para reformas enquanto suas forças de segurança abrem fogo contra manifestantes pacíficos.

A entrevista foi similar em tom e conteúdo a outros discursos que ele deu nos últimos meses, nos quais tentou retratar confiança, reforçando a soberania da Síria e insistindo que o levante está sendo conduzido por uma conspiração externa.

Neste domingo, ele advertiu contra uma intervenção militar no estilo da Líbia, dizendo que haverá "repercussões" se qualquer país interferir nas questões sírias. Não há, no entanto, nenhum plano internacional para lançar esse tipo de operação, em parte porque a oposição síria rejeitou a intervenção de países do Ocidente. 

Apesar disso, Grã-Bretanha, França, Alemanha e Portugal confirmaram que buscariam uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas contra a Síria, por sua letal repressão aos protestos.

*Com AP e AFP

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