Premiê palestino é renomeado ao cargo após renúncia do gabinete

Recomposição do governo tenta fortalecer partido Fatah, que tinha em Mubarak um forte aliado no confronto com o Hamas

BBC Brasil |

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O gabinete da Autoridade Palestina, liderado pelo primeiro-ministro Salam Fayyad, renunciou nesta segunda-feira, e o presidente Mahmoud Abbas imediatamente renomeou o premiê para formar um novo governo.

Salam Fayyad tem seis semanas para apresentar um novo gabinete, mas de acordo com as avaliações de analistas, os novos ministros deverão ser nomeados dentro de duas semanas.

A recomposição do gabinete palestino é considerada mais um efeito colateral da onda de protestos por democratização no mundo árabe, principalmente no Egito.

Com a queda do presidente egípcio Hosni Mubarak, o partido governista Fatah ficou enfraquecido, pois perdeu um importante aliado no seu confronto com o Hamas. Além da cisão com o Hamas, o gabinete palestino também enfrentava descontentamento dentro do próprio Fatah.

Hamas

O novo gabinete que será formado por Fayyad tem o objetivo de atender as exigências de facções dentro do Fatah para promover um fortalecimento do partido.

As ultimas eleições para a Presidência palestina foram realizadas em 2005 e, segundo as normas da Autoridade Palestina, um novo pleito deveria ter ocorrido em 2009. O prazo para as eleições parlamentares também já expirou, pois deveriam ter sido realizadas em 2010.

Em vista da cisão entre o Fatah, partido secular do presidente Abbas que controla a Cisjordânia, e o Hamas, partido islamista que tomou o poder na Faixa de Gaza em 2007, a realização de eleições nos territórios palestinos torna-se bastante problemática.

No entanto, o presidente Mahmoud Abbas já anunciou que novas eleições presidenciais e parlamentares deverão ser realizadas no próximo mês de setembro, e uma das missões do novo gabinete será preparar o terreno para as eleições.

De acordo com um dos principais líderes da OLP, Yasser Abed Rabbo, a liderança palestina "pede a todas as partes que coloquem suas diferenças de lado" e disse que todas as discordâncias poderão ser resolvidas no novo Parlamento, formado depois das eleições.

Porém, o porta-voz do Hamas na Faixa de Gaza, Fawzi Barhoum, já declarou que o grupo "não participará destas eleições, não lhes dará legitimidade e não aceitará seus resultados".

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