Premiê interino da Líbia diz que 'queria Kadafi vivo'

Jibril afirma que gostaria de ter sido 'promotor' no julgamento do líder deposto morto na quinta-feira em Sirte

BBC Brasil |

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AFP
O premiê interino da Líbia, Mahmoud Jibril, participa do Fórum Econômico Mundial na Jordânia (22/10)
O primeiro-ministro interino da Líbia, Mahmoud Jibril, disse à BBC que queria que o ex-líder Muamar Kadafi não tivesse sido morto .

"Sinceramente, em um nível pessoal, eu gostaria que ele estivesse vivo. Eu quero saber por que ele fez isso com o povo líbio", ele disse durante o programa HardTalk, se referindo aos 42 anos que Kadafi passou no poder. "Eu queria ser o promotor em seu julgamento."

Jibril também afirmou ser a favor de de uma investigação completa sobre as circunstâncias da morte do coronel Kadafi, na quinta-feira, como defende a ONU , desde que as tradições funerárias islâmicas sejam respeitadas.

Leia também: Saiba os relatos que indicam os últimos momentos de Kadafi

As declarações são feitas no momento em que os novos líderes da Líbia se preparam para decretar a libertação formal do país na cidade de Benghazi, a primeira a derrotar as forças de Kadafi, ainda neste domingo. Eleições seriam marcadas até junho de 2012.

Pressão internacional

Os corpos de Kadafi e de seu filho Mutassim, também morto na quinta-feira, ainda estão em um contêiner refrigerado na cidade de Misrata. O funeral vem sendo adiado em meio a discussões sobre o que fazer com os corpos.

Algumas autoridades defenderam um enterro secreto, para evitar que o túmulo de Kadafi se transforme em um santuário. Ainda não foi confirmado se a autópsia já foi realizada, com declarações contraditórias vindo de diferentes líderes do Conselho Nacional de Transição (CNT).

Enquanto o porta-voz de relações exteriores do Conselho Nacional de Transição (CNT), Ahmed Gebreels, disse à BBC que o procedimento foi concluído, uma importante autoridade de saúde dentro do CNT, Nagy Barakat, afirmou mais tarde que o exame não era necessário já que a causa da morte havia sido declarada por um patologista.

Enquanto a comunidade internacional continua querendo esclarecer as circunstâncias da morte de Kadafi, correspondentes dizem que poucos líbios estão preocupados com a forma como o ex-líder morreu.

Comandante

No sábado, o comandante das forças que capturaram Kadafi assumiu a responsabilidade pela morte do ex-líder. Em entrevista exclusiva à BBC, Omran el Oweib disse que o coronel foi arrastado para fora do cano de drenagem onde ele foi encontrado, deu cerca de dez passos e caiu no chão ao ser atacado por um grupo de combatentes furiosos.

El Oweib afirmou que é impossível dizer quem deu o tiro fatal no ex-líder líbio. O comandante disse ainda que tentou salvar a vida de Kadafi, mas que ele morreu na ambulância a caminho do hospital, nos arredores de Sirte.

Muamar Kadafi, que chegou ao poder após um golpe em 1969, foi derrubado em agosto. No dia de sua morte, ele estava em Sirte, sua cidade natal e último baluarte do regime, junto com dois de seus filhos, Mutassim e Saif al-Islam, segundo relatos.

Ainda não há informações confirmadas sobre o paradeiro de Saif al-Islam, considerado possível sucessor de Khadafi, e do temido chefe de segurança do coronel.

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