Premiê egípcio reúne gabinete de crise

Encontro acontece após embaixada israelense ser invadida por manifestantes no Cairo

iG São Paulo |

O primeiro-ministro egípcio, Essam Sharaf, convocou neste sábado uma reunião do gabinete de crise depois dos últimos distúrbios na embaixada de Israel no Cairo e a saída do país do embaixador israelense , Yitzhak Levanon.

O representante israelense, junto a sua família e pessoal da legação diplomática, abandonou o Egito no começo da manhã em um avião da Força Aérea israelense.

O embaixador voltou ao seu país depois que milhares de manifestantes protestaram na noite de sexta-feira em frente a sua sede diplomática e derrubaram o muro que a protegia , ao tempo que dezenas deles invadiram o edifício onde fica a embaixada e atiraram pela janela documentos de um dos andares.

Os tanques do Exército foram desdobrados na zona e as forças de segurança tentaram dispersar os manifestantes com gás lacrimogêneo e disparos para o alto.

O Ministério do Interior pôs a polícia em alerta de emergência para fazer frente aos distúrbios, que deixaram, segundo o vice-ministro da Saúde egípcio, Hamid Abaza, deixou mortos e milhares de feridos . Segundo Abaza, uma das mortes aconteceu na noite de sexta-feira, quando um homem morreu de ataque cardíaco.

Nos arredores da Embaixada israelense, um grupo de pessoas tentou sem sucesso atacar a Direção da Segurança da província de Giza e outros se manifestaram em frente à embaixada da Arábia Saudita.

A reunião deste sábado obrigou o ministro das Relações Exteriores, Kamel Amr, a cancelar a viagem que faria à Europa.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, condenou o ataque. Um assessor afirmou que o premiê classificou a invasão como um "incidente sério" e uma "flagrante violação das normas internacionais". Previamente à BBC, uma autoridade graduada de Israel disse que o ataque à representação diplomática no Egito representava uma séria ameaça às relações entre os dois países - um dos pontos de equilíbrio para a paz no Oriente Médio.

Observadores dizem que o incidente marca uma aguda escalada nas tensões bilaterais e testam os 30 anos do tratado de paz entre Israel e Egito. Sob o regime de Hosni Mubarak, os laços entre os dois países haviam sido estáveis, após anos de conflitos. Mas, agora que o ex-presidente foi deposto , Israel teme que um governo menos favorável seja implementado no Cairo.

A embaixada era alvo de protestos desde a morte de cinco policiais egípcios , em 18 de agosto, supostamente em uma ação das forças israelenses. Autoridades egípcias dizem que os cinco foram mortos quando as forças de segurança de Israel perseguiram supostos militantes através da fronteira.

No mesmo dia, atiradores haviam atacado ônibus civis israelenses perto do resort israelense de Eilat, localizado no mar Vermelho, deixando oito mortos . Centenas de egípcios protestaram em frente ao prédio da embaixada de Israel na noite seguinte, queimando uma bandeira do país e exigindo a expulsão do embaixador.

Depois do incidente registrado no mês passado na fronteira, Cairo definiu a morte dos policiais como "inaceitável". Israel não admitiu responsabilidade no caso, mas lamentou as mortes. As tensões vêm crescendo desde então. O ministro de Defesa de Israel disse ter ordenado um inquérito em conjunto com o Exército egípcio.

* Com AP, BBC, EFE

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