Premiê egípcio diz que acordo de paz com Israel não é 'sagrado'

Essam Sharaf afirmou em entrevista que acordo de 1979 está 'sempre aberto', caso mudanças beneficiem a região

iG São Paulo |

AP
Essam Sharaf é cercado por partidários enquanto discursa na praça Tahrir, no Cairo (4/3)
O primeiro-ministro do Egito, Essam Sharaf, disse nesta quinta-feira que o tratado de paz assinado em 1979 com Israel não é "sagrado", e pode ser alterado pelo bem da paz na região.

"O acordo de Camp David não é uma coisa sagrada, e está sempre aberto a discussão com aquilo que poderia beneficiar a região e a defesa de uma paz justa (...), e poderíamos fazer uma mudança se fosse necessário", disse Sharaf em entrevista a uma emissora turca, segundo informou a agência Mena.

"Devemos nos ocupar da raíz do problema, e o problema no Oriente Médio é a ocupação israelense dos territórios palestinos", completou. Essa declaração foi feita em meio à campanha palestina em busca do reconhecimento de seu Estado na ONU, fortemente rebatida pelos EUA e por Israel.

Essa foi a declaração mais forte sobre o tema até agora por parte do governo provisório que assumiu o poder no Egito depois da renúncia de Hosni Mubarak , em fevereiro.

Segundo análise do professor de ciência política Mustapha al Sayyid, Sharaf aparentemente sinaliza a intenção de reforçar a segurança na fronteira de Israel, mas sem romper o tratado de 1979, que impõe limites à presença militar egípcia na região.

"Já foi bem demonstrado que o tamanho das forças egípcias nessa área não é suficiente para responder às ameaças à segurança. O número de soldados deveria ser aumentado, e o equipamento, melhorado", afirmou.

"Não acho que as forças políticas egípcias estejam propondo a revogação do tratado, muito menos o rompimento de relações diplomáticas", acrescentou.

Egito e Israel vivem um momento de crescente tensão desde a derrubada de Mubarak, culminando com um incidente, no mês passado que resultou na morte de cinco soldados egípcios por forças israelenses que haviam cruzado a fronteira ao perseguirem supostos militantes palestinos.

Em reação ao incidente, uma multidão invadiu na sexta-feira passada a embaixada israelense no Cairo , símbolo das boas relações mantidas até então entre os dois países. Nesta ocasião, o embaixador israelense deixou o país e Netanyahu disse que quer preservar a paz com Cairo .

Questionado sobre as declarações de Sharaf, um porta-voz militar israelense disse que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu recentemente manifestou, em pelo menos duas ocasiões, seu compromisso com o tratado.

"Em ambos os lugares, ele salientou a importância de manter o tratado de paz com o Egito, e que o tratado de paz é uma âncora para a estabilidade regional", disse o porta-voz Mark Regev.

O governo militar do qual Sharaf participa tem se empenhado em conter a indignação popular dos egípcios contra Israel depois do incidente na fronteira. O Egito chegou a ameaçar retirar seu embaixador de Tel Aviv, mas não o fez, o que enfureceu muitos egípcios que esperavam uma reação mais incisiva. Israel retirou seu embaixador do Cairo após a invasão da embaixada.

Ambos os países dizem que pretendem normalizar suas relações diplomáticas . O Egito prometeu reforçar a segurança na embaixada israelense, conforme exigiram Israel e os EUA.

* Com AFP e Reuters

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