Preces levam a novos protestos no norte da África e Oriente Médio

Além dos choques na Líbia, manifestantes voltam às ruas no Iêmen, Bahrein, Jordânia, Iraque e Egito; três morrem no Iêmen

iG São Paulo |

AP
Essam Sharaf é cercado por partidários enquanto discursa na praça Tahrir, no Cairo
No que vem se tornando uma oportunidade semanal para expor o descontentamento com os governos do norte da África e Oriente Médio, milhares saíram às ruas do mundo árabe para protestar no mundo árabe depois das preces desta sexta-feira. Episódios de violência foram registrados na dura repressão de Muamar Kadafi contra rebeldes na Líbia e no Iêmen.

Alguns protestos - no Iêmen e Bahrein - aumentaram a pressão sobre líderes que parecem cada vez mais vulneráveis nas semanas posteriores à deposição dos líderes na Tunísia e Egito .

Outros, no Iraque, Jordânia e Egito, pressionaram os governos por mudança em vez de uma transformação completa de governo. no Iraque, os manifestantes pedem melhores serviços governamentais; no Egito - onde há um novo governo militar - e na Jordânia, os que protestam pressionam seus líderes a acelerar as medidas democráticas.

No Iêmen, onde o governo reconhece a morte de três pessoas, os opositores afirmam que forças de segurança abriram fogo contra manifestantes durante um protesto na Província de Amran, no norte do país. Segundo relatos da imprensa, milhares se concentraram na cidade de Harf Sufyan para um protesto pacífico, pedindo o fim da corrupção e mudanças políticas, como a saída do presidente Ali Abdullah Saleh. O líder iemenita, que está no poder desde 1978, afirma que pretende deixar a presidência a partir de 2013 . No entanto, os opositores pedem sua saída imediata.

Os protestos realizados nas últimas semanas no Iêmen têm se concentrado principalmente na capital, Sanaa, e na cidade portuária de Áden, no sul do país.

No Cairo, Egito, In Cairo, organizadores realizaram uma grande manifestação na praça Tahrir um dia depois de a junta militar acatarem a reivindicação opositora ao forçar a renúncia do primeiro-ministro Ahmed Shafiq . Os manifestantes na praça, que foi o epicentro da mobilização de 18 dias que derrubou Hosni Mubarak, celebraram o novo premiê , Essam A. Sharaf, mas continuaram pressionando por mudanças mais rápidas e substantivas para promover a democracia.

No Bahrein, mais de 100 mil protestaram em Manama para pedir a renúncia do governo, após os confrontos registrados quinta-feira à noite entre xiitas e sunitas no sul da capital terem deixado oito feridos.

Os manifestantes gritaram palavras de ordem como "O povo quer a queda do regime" e pediram paz ao longo da passeata, que se deslocou da antiga sede do Conselho de Ministros até a emblemática praça Lulu (pérola, em árabe), epicentro dos protestos. Durante a marcha, os manifestantes pediram uma nova Constituição que substitua a promulgada em 2002.

No Iraque, Milhares saíram às ruas em diversas cidades protestando contra o estado dos serviços públicos, a corrupção, o desemprego e a incompetência de seus dirigentes. As manifestações foram significativamente menores que as marchas de há uma semana que levaram o primeiro-ministro Nuri al-Maliki a dar ao seu gabinete 100 dias para se organizar ou sair do poder.

Nesta sexta-feira, 2 mil pessoas dirigiram-se à Praça Tahrir de Bagdá, enquanto outros 1,5 mil se reuniram na cidade de Mossul e 1 mil nas cidades do sul de Nassíria e Basra. A manifestação de Bagdá terminou quando as forças de segurança invadiram a praça. Em Basra, policiais usaram jatos d'água para dispersar os manifestantes.

Em geral, os protestos ocorreram em pelo menos 10 cidades do país, apesar de terem sido colocadas fortes restrições ao movimento de veículos em todas as províncias não curdas ao norte de Bagdá e em várias cidades.

Na Jordânia, cerca de três mil participaram de uma manifestação em Amã para exigir reformas políticas, incluindo a dissolução da Câmara Baixa do Parlamento.

A manifestação foi convocada por ativistas da Frente de Ação Islâmica, o braço político da Irmandade Mulçumana da Jordânia, assim como por um partido de esquerda, grupos que boicotaram as eleições legislativas de novembro.

Outros cinco partidos da oposição disseram que não participavam dos protestos desta sexta-feira para dar espaço para o diálogo com o novo governo do primeiro-ministro Marouf Bakhit, que na quinta-feira obteve do Parlamento um voto de confiança para realizar uma série de reformas políticas propostas pelo rei Abdullah 2º.

*Com New York Times, EFE e AFP

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