Político islâmico deve presidir Parlamento egípcio

Dois principais partidos políticos do país concordaram em apoiar Saad el-Katatni, o secretário do partido da Irmandade Muçulmana

iG São Paulo |

Dois partidos proeminentes no Egito concordaram em apoiar um político islâmico para ser o presidente da Câmara Baixa do Parlamento pela primeira vez em décadas, informaram os líderes dos partidos nesta segunda-feira.

Leia também: Eleições para Câmara Baixa do parlamento egípcio entram na reta final

AP
Saad el-Katatni, secretário geral do partido da Irmandade Muçulmana, participa de coletiva no Cairo

A Irmandade Muçulmana, a grande vencedora na primeira eleição desde a queda do presidente egípcio Hosni Mubarak em fevereiro do ano passado, afirmou que se uniu a diversos partidos para apoiar Saad el-Katatni, o secretário geral do partido da Irmandade.

A principal função do novo parlamento é formar uma comissão de 100 pessoas para elaborar a nova Constituição para o Egito, enquanto as eleições presidenciais são preparadas para junho.

A escolha de el-Katatni mostra o poder dos islâmicos para influenciar nesse processo. A aliança liderada pela Irmandade Muçulmana deve conquistar 45% das 498 cadeiras do Parlamento. Um movimento islâmico mais radical deve ter ficado com 25%. Os dois não devem unir forças uma vez que possuem diversas diferenças religiosas.

A eleição aconteceu em várias etapas , a partir de novembro, mas a votação precisará ser repetida em alguns lugares, e por isso os resultados finais ainda não foram anunciados.

Na segunda-feira, a Irmandade se encontrou com líderes de outros partidos para tentar chegar a um acordo quanto ao presidente da casa. Mohammed Morsi, líder do partido da Irmandade, disse que o encontro tinha como intuito garantir que não haveria nenhuma "exclusão, nenhuma polarização e nenhum conflito. Em vez disso haverá o consenso nacional" no parlamento.

Mohammed Abouel Ghar, chefe do secular Partido Social Democrata egípcio, que emergiu da revolta popular, disse: "Nós concordamos em estabelecer um consenso na seleção dos chefes dos subcomitês. Mesmo os partidos menores e aqueles que conquistaram apenas uma cadeira não serão excluídos."

Partidos como o dele representam os reformistas e ativistas no centro do movimento que derrubou Mubarak não conseguiram tranformar isso em voto, pois dividiram-se em várias facções e conquistaram menos de um quarto dos assentos do parlamento.

Apesar de escolher a comissão constitucional, os poderes do parlamento serão limitados. O parlamento, que deve estabelecer sua primeira reunião em 23 de janeiro, não pode formar um governo ou pedir por um voto de confiança, de acordo com uma carta provisória que transferiu os poderes de Mubarak para o chefe do Conselho Militar.

Os parlamentares escolherão formalmente o presidente da Casa e seus dois vices na sessão inaugural da legislatura, no dia 23.

Na segunda-feira, o grupo Human Rights Watch pediu ao novo parlamento para reformar leis usadas para limitar a liberdade e reprimir direitos. O grupo disse que a prioridade do parlamento deveria ser uma revisão das leis que limitam associações e assembleias e permitam detenções sem acusação.

Com Reuters e AP

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