Policiais e manifestantes têm novos choques no Egito

Confrontos voltam a acontecer no centro da capital, Cairo, a apenas oito dias da primeira fase das eleições parlamentares

iG São Paulo |

Manifestantes e policiais entraram em choque pelo segundo dia consecutivo na praça Tahrir, no Cairo, capital do Egito. Neste domingo, a polícia invadiu a praça usando gás lacrimogêneo e balas de borracha, sendo recebida com pedras pelos manifestantes que protestam contra a junta militar que governa o país. De acordo com fontes médicas, os confrontos deixaram pelo menos 11 mortos.

AP
Manifestantes entram em choque com policiais na Praça Tahrir, no Cairo

 Os novos dados elevam para 13 o número de mortos em apenas dois dias de confronto. Os primeiros choques ocorreram em uma rua próxima à praça, em frente ao Ministério do Interior. De acordo com a polícia, cerca de cinco mil manifestantes chegaram a ocupar Tahrir e seus arredores. À noite, confrontos violentos ocorreram nas ruas próximas ao Ministério do Interior, situado nas imediações da Tahrir.

O local foi epicentro dos protestos que forçaram a renúncia do ex-presidente Hosni Mubarak em 11 de fevereiro, após 18 dias de protesto. A praça ficou lotada na sexta-feira durante um protesto contra um esboço de Constituição apresentado pelo vice-premiê egípcio. No sábado , uma operação da polícia para desocupar a praça deixou um morto e centenas de feridos, a apenas oito dias da primeira fase das eleições parlamentares.

“A violência de ontem (sábado) nos mostrou que Mubarak continua no poder”, afirmou o manifestante Ahmed Hani, ferido na testa por uma bala de borracha. “Só temos uma reivindicação: que os militares deixem o poder e sejam substituídos por um conselho civil.”

O chão da praça ficou coberto por cacos de vidro e lixo, enquanto o uso de gás lacrimogêneo pela polícia provoca uma fumaça branca no local. Muitos dos manifestantes estão com os olhos vermelhos e tossindo, segundo a agência AP.

No sábado, um manifestante de 23 anos morreu baleado na Tahrir. Outro jovem foi morto na cidade de Alexandria, onde confrontos entre civis e policiais também aconteceram. Segundo a TV estatal, foram feitas 18 prisões.

Em entrevista por telefone a um canal privado, o major Mohsen el-Fangari, integrante da junta militar, afirmou que os protestos tão próximos das eleições são uma ameaça ao Estado.

“Qual é o propósito de ficar na Tahrir?”, questionou. “Não há meios legais para fazer reivindicações de modo a não prejudicar o Egito internacionalmente?”

Documento polêmico

O documento apresentado pelo vice-premiê, que motivou o protesto de sexta-feira, daria ao Exército autoridade exclusiva sobre suas questões internas e seu orçamento. O artigo 9 reserva ao Conselho Supremo das Forças Armadas, máxima autoridade do país atualmente, a competência exclusiva de supervisionar "tudo o que é referente às Forças Armadas e a seu Orçamento".

Além disso, se a Junta Militar considerar que a minuta da Constituição contradiz algum dos princípios básicos do Estado, teria o poder de pedir sua revisão, e em última instância dissolver a Assembleia Constituinte e delegar a redação do texto a uma nova.

De acordo com a Irmandade Muçulmana, a minuta proposta pelo vice-primeiro-ministro Ali al-Selmi "causou uma perigosa crise na sociedade política egípcia, porque inclui cláusulas que tiram a soberania do povo e consagram uma ditadura".

Com EFE e AP

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