Policiais e manifestantes entram em choque no Egito

Integrantes da polícia invadiram a Praça Tahrir, no Cairo, para encerrar protesto contra junta militar que começou na sexta-feira

iG São Paulo |

AP
Manifestantes enfrentam policiais na praça Tahrir, no Cairo, capital do Egito

A polícia do Egito invadiu neste sábado a praça Tahrir, no Cairo, para expulsar manifestantes acampados no local após um protesto , na sexta-feira, contra a junta militar que governa o país. Os policiais usaram gás lacrimogêneo e balas de borracha durante choque com os civis, que responderam com pedras. Os choques deixaram mais de 80 feridos, segundo a TV estatal.

O confronto acontece apenas nove dias antes da primeira fase das eleições parlamentares do Egito, as primeiras depois da queda do ex-presidente Hosni Mubarak, forçado a renunciar em 11 de fevereiro após 18 dias de protestos.

Na sexta-feira, milhares foram à praça, epicentro dos protestos contra Mubarak, para protestar contra um esboço de Constituição que o vice-premiê, Ali al-Silmi, apresentou para grupos políticos no começo do mês.

Segundo testemunhas, cerca de cem manifestantes continuaram durante a noite no local.

A violência teria começado quando a polícia desmontou barracas e confiscou cadeiras e cartazes. A ação da polícia esvaziou a praça, mas protestos continuaram acontecendo em ruas próximas.

O documento apresentado pelo vice-premiê, que motivou o protesto, daria ao Exército autoridade exclusiva sobre suas questões internas e seu orçamento.

O artigo 9 reserva ao Conselho Supremo das Forças Armadas, máxima autoridade do país atualmente, a competência exclusiva de supervisionar "tudo o que é referente às Forças Armadas e a seu Orçamento".

Além disso, se a Junta Militar considerar que a minuta da Constituição contradiz algum dos princípios básicos do Estado, teria o poder de pedir sua revisão, e em última instância dissolver a Assembleia Constituinte e delegar a redação do texto a uma nova.

De acordo com a Irmandade Muçulmana, a minuta proposta pelo vice-primeiro-ministro Ali al-Selmi "causou uma perigosa crise na sociedade política egípcia, porque inclui cláusulas que tiram a soberania do povo e consagram uma ditadura".

Com EFE e AP

    Leia tudo sobre: egitomundo árabehosni mubarak

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG