Polícia se prepara para conter protesto contra governo da Argélia

Manifestantes querem reformas democráticas no país; 20 mil policiais estão nas ruas

BBC Brasil |

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Mais de 20 mil integrantes da polícia de choque foram deslocados neste sábado para a capital da Argélia, Argel, enquanto manifestantes começam a se reunir para um protesto em defesa de reformas democráticas no país.

Relatos dão conta que centenas de pessoas já chegaram ao centro da capital, gritando palavras de ordem contra o presidente do país, Abdelaziz Bouteflika, exigindo melhores condições de vida e maior liberdade. Partidários de Bouteflika também estão se organizando e se reunindo nas ruas de Argel.

A polícia já posicionou veículos blindados e canhões d'água no centro da cidade, além de bloquear ruas e estradas de acesso para evitar a chegada de ônibus com mais manifestantes.
Grupos de defesa dos direitos humanos afirmam que dezenas de manifestantes já foram detidos pelas forças de segurança.

Na noite dessa sexta-feira, a polícia interveio quando uma multidão tomou as ruas para comemorar a saída do presidente egípcio, Hosni Mubarak. Os recentes protestos no Cairo e na Tunísia são tidos como os eventos que inspiraram a mobilização dos argelinos contra o governo.

Argel já teve confrontos entre manifestantes e policiais em janeiro deste ano, em meio a protestos contra o desemprego, os preços dos alimentos e as más condições de moradia.

Os protestos populares são proibidos na Argélia devido a um estado de emergência que dura desde a guerra civil de 1992. No início de fevereiro, o presidente afirmou que esta situação seria suspensa "em um futuro muito próximo".

Bouteflika fez a declaração em uma reunião com ministros, segundo a mídia estatal. Ele afirmou que os protestos seriam tolerados em qualquer parte do país, menos na capital.

Repressão

Segundo a correspondente da BBC em Argel Chloe Arnold, a situação na Argélia é semelhante à de outros países árabes, como o Egito. Bouteflika, 73 anos, está na Presidência desde 1999 e é acusado por muitos de se manter no poder por meio de um regime repressivo.

Além disto, segundo Arnold, uma grande quantidade de cidadãos abaixo dos 30 anos está sem emprego e enfrentando problemas sérios de habitação.

A corrupção disseminada no governo e a baixíssima qualidade dos serviços públicos também aumentam a insatisfação dos argelinos.

Nos anos 1990, a política na Argélia foi dominada por uma luta entre os militares e grupos muçulmanos. Em 1992, uma eleição geral vencida por um partido islâmico foi anulada, levando a uma sangrenta guerra civil que deixou mais de 150 mil mortos.

A lembrança deste conflito, em que pessoas eram decapitadas em plena luz do dia, pode "diminuir o apetite dos argelinos por um levante político".

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