Polícia reprime protesto no Iêmen e 20 pessoas morrem

Forças de segurança usam fogo real para dispersar manifestantes reunidos em praça de Taiz para reivindicar renúncia de presidente

iG São Paulo |

A repressão da polícia iemenita contra um protesto político deixou pelo menos 20 mortos em uma praça da cidade de Taiz, informaram nesta segunda-feira fontes médicas. As forças de segurança chegaram a usar fogo real para dispersar os manifestantes, segundo as mesmas fontes.

AFP
Forças de segurança utilizam canhões de água para conter os protestos em Taiz

A ação policial, que começou na noite de domingo, prolongou-se durante esta madrugada na Praça da Liberdade do centro da cidade, onde haviam se concentrado os opositores do regime do presidente Ali Abdullah Saleh.

"Pelo menos 20 manifestantes morreram nos enfrentamentos com as forças de segurança que foram das 18h de domingo até as 4h desta segunda-feira", declarou um dos organizadores do protesto. Nessa mesma localidade, no domingo, pelo menos três manifestantes morreram e outros 90 ficaram feridos por disparos da polícia durante um protesto na frente do prédio do conselho municipal, antes do ataque da polícia à Praça da Liberdade.

Já no sul do país, quatro militares, entre eles um coronel, morreram na noite de domingo em uma emboscada executada pela rede terrorista Al-Qaeda perto da cidade de Zinjibar .

Tanques e veículos blindados atacaram durante a noite os manifestantes que acampavam no local para exigir a queda do presidente Saleh. Os militares incendiaram as barracas e esvaziaram a praça, segundo testemunhas. Centenas de manifestantes tentaram fugir e foram detidos.

Segundo testemunhas, 37 feridos - alguns em estado grave - que estavam no hospital de campanha instalado na praça pelos manifestantes também foram detidos.

Os ativistas tinham acampado nesse lugar, imitando os protestos políticos que se instalaram na praça Tahrir do Cairo no final de janeiro e se estenderam nas semanas seguintes a outras cidades do mundo árabe.

Taiz, antiga capital e o principal centro industrial do Iêmen, somou-se nas últimas semanas às cidades que estão sendo palco de manifestações de protesto contra o regime de Saleh.

A oposição condenou a violência em Taiz e qualificou o ataque de "crime contra a humanidade". Também voltou a pedir uma pressão internacional pela queda de Saleh.

Segundo a agência oficial Saba, o presidente iemenita pediu aos comandantes militares "resistência" e uma resposta firme aos desafios apresentados por "delinquentes e corrompidos". Taiz, localizada a 270 km ao sul de Sanaa, é um dos focos dos protestos contra o regime de Saleh.

*Com EFE e AFP

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