Polícia reprime protesto antigoverno no Bahrein

Segundo grupos de oposição, choques na capital Manama deixaram ao menos quatro mortos e cem feridos

iG São Paulo |

AP
Manifestante é levado ao hospital após ficar ferido em protestos em Manama, no Bahrein

Forças de segurança do Bahrein dispersaram na madrugada desta quinta-feira milhares de manifestantes que protestavam contra o governo no centro de Manama, capital do país. Centenas de policiais da tropa de choque entraram na praça onde se concentravam os manifestantes usando bombas de gás lacrimogêneo e golpes de bastão.

Segundo grupos de oposição, a operação policial deixou ao menos quatro mortos e cem feridos. Os manifestantes que pediam uma ampla reforma política no país vinham acampando na praça desde a terça-feira. Durante a semana, outras duas pessoas já haviam morrido e dezenas tinham ficado feridas em confrontos.

Ibrahim Sherif, do partido secular Waad, disse que a polícia agiu sem qualquer aviso por volta das 3h (22h de quarta-feira em Brasília). "Havia centenas de mulheres e crianças acampadas aqui. As pessoas dormiam em barracas. Agora há uma densa névoa de gás lacrimogêneo e essas pessoas podem estar presas aqui, inalando esse gás", disse.

Sherif disse ter visto ao menos cem policiais em um dos lados da praça e centenas de pessoas fugindo para as ruas laterais. Segundo ele, ambulâncias com pessoas feridas chegavam a todo minuto no principal hospital de Manama, Salmaniya.

Preocupações

Antes da invasão policial à praça, os Estados Unidos expressaram preocupações com a violência no país e pediram moderação e respeito aos "direitos universais de seus cidadãos" e a "seus direitos a protestar". O Bahrein é um importante aliado americano no Oriente Médio e abriga uma base da Quinta Frota Naval dos Estados Unidos.

As autoridades do Bahrein disseram que não tiveram opções a não ser invadir a praça para dispersar os manifestantes. "As forças de segurança esvaziaram a praça após terem esgotado todas as opções de diálogo", afirmou o porta-voz do Ministério do Interior, general Tarek al-Hassan, em um comunicado divulgado pela agência oficial BNA. Ele afirmou que alguns manifestantes "se recusaram a se submeter à lei" e que por isso a polícia teve que intervir para dispersá-los.

Os protestos no Bahrein, onde a maioria muçulmana xiita vem sendo governada por uma família real da minoria sunita desde o século 18, são parte de uma onda de manifestações contra governos que vem tomando países muçulmanos no norte da África e no Oriente Médio. Desde o início do ano, levantes populares já derrubaram os governos da Tunísia e do Egito.

Os manifestantes pediam a libertação dos prisioneiros políticos, a criação de empregos e a construção de casas populares, o estabelecimento de um Parlamento mais representativo, uma nova Constituição e um novo gabinete que não inclua o atual primeiro-ministro, xeque Khalifa bin Salman Al Khalifa, que está no cargo há 40 anos. Em uma rara aparição na TV na terça-feira, o rei do Bahrein lamentou as mortes de manifestantes e disse que continuaria com as reformas iniciadas em 2002, quando o emirado se transformou em uma monarquia constitucional.

Tensões

Desde a independência do país da Grã-Bretanha, em 1971, as tensões entre a elite sunita e a maioria xiita vêm frequentemente provocando conflitos. Grupos xiitas se dizem marginalizados, sujeitos a leis injustas e reprimidos.

O conflito foi reduzido em 1999, quando o xeque Hamad se tornou emir. Ele libertou prisioneiros políticos, permitiu o retorno de exilados e aboliu uma lei que permitia que o governo detivesse indivíduos sem julgamento por até três anos. Ele também iniciou um cauteloso processo de reformas democráticas.

Em 2001, eleitores aprovaram uma Carta de Ação Nacional que transformaria o país em uma monarquia constitucional. No ano seguinte, o xeque Hamad se autoproclamou rei e ordenou a formação de uma Assembleia Nacional.

Houve também uma maior abertura democrática e mais proteção aos direitos humanos. Apesar da proibição aos partidos políticos ter sido mantida, a Constituição do país permitiu o funcionamento de "sociedades políticas".

Eleições gerais foram realizadas em 2002, mas a oposição boicotou a votação porque a Câmara Baixa do Parlamento, o Conselho de Representantes, teria o mesmo poder que a Câmara Alta, o Conselho Shura, com membros indicados.

Com BBC

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