Pilotos da Força Aérea líbia se recusam a bombardear Benghazi

Capitão e seu número 2 saltaram do caça de paraquedas; recusa dos militares soma-se a outras deserções do governo de Kadafi

iG São Paulo |

Em mais um sinal de deserção e da perda de força do governo do presidente líbio, Muamar Kadafi, pilotos da Força Aérea Líbia se recusaram a bombardear Benghazi, a segunda maior cidade do país que está sob controle da oposição, e se ejetaram do caça que dirigiam.

De acordo com o jornal líbio Quryna, depois de o capitão Attia Abdel Salem al Abdali e seu número dois, Ali Omar Gaddafi, terem saltado de paraquedas, o caça russo modelo Sukhoi-22 sofreu um acidente. O avião, que partiu de Trípoli, caiu próximo à cidade de Ajdabiya, 160 quilômetros a sudoeste de Benghazi, informou o jornal.

Na segunda-feira, dois jatos da Força Aérea da Líbia pousaram em Malta . Segundo a Reuters, os pilotos disseram às autoridades do país que tinham sido ordenados a bombardear manifestantes. Eles teriam se recusado a realizar a tarefa e um deles teria pedido asilo político.

A recusa dos pilotos em atacar os manifestantes da oposição ocorre enquanto Kadafi perde controle da parte leste do país e vê a oposição avançar sobre o oeste. Benghazi e a maioria do leste da Líbia não está sob controle do governo central desde a revolta da semana passada contra o regime do líder líbio.

Renúncias

A violenta repressão aos protestos provocou a renúncia de diversas autoridades do governo, como o ministro do Interior, Abdel Fattah Younes al Abidi , e da Justiça, Mustafá Abdel Yalil. Além disso, pelo menos oito embaixadores e diplomatas de alta hierarquia renunciaram a seus cargos em protesto pela violenta repressão aos protestos.

Os embaixadores que deixaram seus postos são os chefes das missões líbias na Austrália, Bangladesh, China, EUA, Índia, Indonésia, Malásia, Polônia. Diplomatas do país na Liga Árabe e na ONU também deixaram o governo .

O embaixador da Líbia no Brasil, Salem Ezubedi, não vai à representação diplomática em Brasília nesta quarta-feira, informou uma assessora ao iG. Segundo ela, Ezubedi "está sofrendo muito com tudo isso. É o povo dele que está morrendo ".

A Embaixada da Líbia na Áustria emitiu um comunicado nesta quarta-feira dizendo que "condena a violência excessiva contra manifestantes pacíficos" e afirmou que está representando "o povo líbio".

*Com Reuters

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