Petrobras estuda plano para retirar funcionários da Líbia

José Sérgio Gabrielli, presidente da empresa, anuncia que vai trazer brasileiros de volta, mas não diz quando nem como

Daniel Cassol, iG Rio Grande do Sul, e Wilson Lima, iG Maranhão |

O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, disse nesta terça-feira em Porto Alegre que a estatal tem um plano para retirar cinco funcionários que ainda permanecem na Líbia, atual foco dos protestos populares no mundo árabe. A Petrobrás acompanha a situação e analisa a retirada dos seus funcionários no país.

"Estamos acompanhando de perto o que está acontecendo. A situação modificou um pouco de ontem para hoje e estamos pensando na retirada de nosso pessoal na Líbia. Nós temos um plano, mas não vamos revelar pela imprensa", afirmou Gabrielli. O presidente está no Rio Grande do Sul discutindo investimentos da empresa no Estado com o governador Tarso Genro.

Segundo Gabrielli, a Petrobrás tinha sete funcionários na Líbia, mas dois já deixaram o país. Nesta segunda, no Rio, ele havia dito que a empresa ainda não cogitava a retirada de seus funcionários. A Líbia vive uma onda de protestos contra o ditador Muamar Kadafi desde a semana passada, na esteira das revoltas que ocorrem nos países árabes desde janeiro.

O presidente da Petrobrás disse ainda que a instabilidade política na região, aliada às "incertezas" quanto à recuperação econômica dos países desenvolvidos, pode provocar aumento no preço do petróleo. No entanto, as revoltas no mundo árabe não devem afetar a produção.

"Vamos viver uma intensa volatilidade no preço do petróleo, em consequência dessa instabilidade crescente. Não acreditamos que haverá um impacto duradouro e significativo na produção de petróleo em consequência dessas crises", completou Gabrielli.

Engenheiro da Queiroz Galvão

O aposentado Messias Gomes Carvalho, de 62 anos, passa desde domingo um drama particular que nenhum pai gostaria de vivenciar. Seu filho, o engenheiro civil Emil Carvalho, é mais um dos centenas de brasileiros que estão no meio do fogo cruzado dos protestos na Líbia.

Messias Carvalho não fala com o filho desde sábado e não tem noticias desde domingo. Nascido no Maranhão, o engenheiro pretendia passar férias no Estado em março. “Ele já tinha passagens compradas”, afirmou emocionado o pai. “Ao menos ele pode antecipar a volta. Esperamos apenas que seja um retorno seguro”.

A família só sabe do que acontece pela imprensa. A todo o momento, familiares ligam para Messias em busca de novas informações. “Fico angustiado para saber o que está acontecendo lá. Gostaria que ele voltasse logo”, diz o pai.

Segundo Messias Carvalho, a última informação oficial partiu da Queiroz Galvão, empresa para a qual seu filho trabalha. No último contato com o filho, ocorreram apenas conversas amenas, sem qualquer tipo de contextualização da situação política do país. “Ele não falou muito sobre a situação. Parecia que estava sendo monitorado por alguém. Talvez ele não quisesse arriscar falar sobre a crise para não nos preocupar ainda mais”, estima Messias Carvalho. “A nossa preocupação maior é a falta de informações”, complementa.

Hoje, o engenheiro divide, com outros brasileiros e portugueses, uma residência em Benghazi alugada pela Queiroz Galvão. Pelo menos 50 pessoas estão no imóvel. Formado há cinco anos, o engenheiro civil trabalha há aproximadamente um ano e meio na Líbia.

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