José Sérgio Gabrielli, presidente da empresa, anuncia que vai trazer brasileiros de volta, mas não diz quando nem como

O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, disse nesta terça-feira em Porto Alegre que a estatal tem um plano para retirar cinco funcionários que ainda permanecem na Líbia, atual foco dos protestos populares no mundo árabe. A Petrobrás acompanha a situação e analisa a retirada dos seus funcionários no país.

"Estamos acompanhando de perto o que está acontecendo. A situação modificou um pouco de ontem para hoje e estamos pensando na retirada de nosso pessoal na Líbia. Nós temos um plano, mas não vamos revelar pela imprensa", afirmou Gabrielli. O presidente está no Rio Grande do Sul discutindo investimentos da empresa no Estado com o governador Tarso Genro.

Segundo Gabrielli, a Petrobrás tinha sete funcionários na Líbia, mas dois já deixaram o país. Nesta segunda, no Rio, ele havia dito que a empresa ainda não cogitava a retirada de seus funcionários. A Líbia vive uma onda de protestos contra o ditador Muamar Kadafi desde a semana passada, na esteira das revoltas que ocorrem nos países árabes desde janeiro.

O presidente da Petrobrás disse ainda que a instabilidade política na região, aliada às "incertezas" quanto à recuperação econômica dos países desenvolvidos, pode provocar aumento no preço do petróleo. No entanto, as revoltas no mundo árabe não devem afetar a produção.

"Vamos viver uma intensa volatilidade no preço do petróleo, em consequência dessa instabilidade crescente. Não acreditamos que haverá um impacto duradouro e significativo na produção de petróleo em consequência dessas crises", completou Gabrielli.

Engenheiro da Queiroz Galvão

O aposentado Messias Gomes Carvalho, de 62 anos, passa desde domingo um drama particular que nenhum pai gostaria de vivenciar. Seu filho, o engenheiro civil Emil Carvalho, é mais um dos centenas de brasileiros que estão no meio do fogo cruzado dos protestos na Líbia.

Messias Carvalho não fala com o filho desde sábado e não tem noticias desde domingo. Nascido no Maranhão, o engenheiro pretendia passar férias no Estado em março. “Ele já tinha passagens compradas”, afirmou emocionado o pai. “Ao menos ele pode antecipar a volta. Esperamos apenas que seja um retorno seguro”.

A família só sabe do que acontece pela imprensa. A todo o momento, familiares ligam para Messias em busca de novas informações. “Fico angustiado para saber o que está acontecendo lá. Gostaria que ele voltasse logo”, diz o pai.

Segundo Messias Carvalho, a última informação oficial partiu da Queiroz Galvão, empresa para a qual seu filho trabalha. No último contato com o filho, ocorreram apenas conversas amenas, sem qualquer tipo de contextualização da situação política do país. “Ele não falou muito sobre a situação. Parecia que estava sendo monitorado por alguém. Talvez ele não quisesse arriscar falar sobre a crise para não nos preocupar ainda mais”, estima Messias Carvalho. “A nossa preocupação maior é a falta de informações”, complementa.

Hoje, o engenheiro divide, com outros brasileiros e portugueses, uma residência em Benghazi alugada pela Queiroz Galvão. Pelo menos 50 pessoas estão no imóvel. Formado há cinco anos, o engenheiro civil trabalha há aproximadamente um ano e meio na Líbia.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.