Perfil: Moussa Koussa foi chefe de serviço secreto de Kadafi

Como principal espião do regime líbio, chanceler dissidente teve a tarefa de tirar país do isolamento internacional

BBC Brasil |

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O ex-chanceler líbio Moussa Koussa é visto em foto de 7 de março de 2011 em Trípoli
A aparente deserção do chanceler líbio Moussa Koussa marca uma nova guinada em uma carreira que se estende por mais de três décadas.

Sua chegada à Grã-Bretanha, na última quarta-feira - a chancelaria britânica relatou ter ouvido de Koussa, 59, que ele não quer mais representar o governo de Muamar Kadafi – contrasta fortemente com sua nomeação a embaixador em Londres, em 1979.

Após ter defendido a morte de dissidentes líbios em solo britânico, em uma entrevista ao jornal The Times, e de ter declarado admiração por militantes do IRA (Exército Republicano Irlandês), ele foi expulso da Grã-Bretanha no ano seguinte.

Mas, na elite líbia, Koussa cresceu, primeiro cuidando das relações com movimentos estrangeiros de “libertação nacional”, depois tornando-se, em 1994, o chefe do serviço secreto de Kadafi, posto em que permaneceu até 2009, quando se tornou chanceler.

Como o principal espião da Líbia, ele recebeu a tarefa de tirar o então Estado pária do isolamento e teve papel crucial em negociar a compensação para as famílias vítimas dos atentados contra o voo da Pan Am em Lockerbie (Escócia, em 1988) e contra o voo da companhia francesa UTA, no Níger (1989).

Até as vésperas do início da revolta líbia, em fevereiro passado, os esforços de Koussa para reintegrar o país na comunidade internacional pareciam ter surtido efeito: as conexões do comércio do petróleo do país se estendiam por toda a Europa, e portas se abriam para Kadafi nas capitais europeias.

'Apoio terrorista'

Segundo uma reportagem do jornal britânico The Observer, um perfil confidencial escrito sobre Koussa pela Inteligência da Grã-Bretanha o descrevia como o chefe da “principal instituição de inteligência na Líbia, responsável por apoiar organizações terroristas e perpetrar atos de terrorismo patrocinados pelo Estado”.

No entanto, ele nunca foi formalmente acusado por nenhum dos atentados contra alvos ocidentais atribuídos à Líbia nos anos 1980. Talvez em um sinal de incredulidade de Trípoli, o governo líbio até o momento negou os relatos da deserção de Koussa.

Mas, segundo o Ministério de Relações Exteriores britânico, Koussa declarou que “renunciava a seu posto”, ainda que não esteja claro se ele pretende trabalhar contra o regime de Kadafi. Independentemente de qual seja o seu papel futuro, Koussa certamente é uma fonte valiosa de informações sobre o governo líbio.

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