Pelo terceiro dia seguido, governo do Bahrein é alvo de protesto

Manifestantes exigem deposição de primeiro-ministro que governa a ilha desde o fim do colonialismo britânico, em 1971

iG São Paulo |

Manifestantes tomaram nesta quarta-feira a capital do Bahrein para acompanhar o cortejo fúnebre de um homem morto em confronto com as forças de segurança do reino, durante protestos inspirados nas recentes revoltas do Egito e da Tunísia .

AP
Manifestante segura placa com foto de Fadhel Salman al-Matrook durante seu enterro em Manama, no Bahrein; ele morreu em um protesto contra o governo
Mais de mil participaram do cortejo da vítima, baleada durante a procissão fúnebre de outro manifestante na terça-feira. Além disso, cerca de 2 mil estão acampados em um importante cruzamento no centro da capital, Manama, exigindo a mudança do governo.

Os manifestantes que pernoitaram na praça de Manama, após tomarem o centro da cidade exigindo reformas econômicas e políticas, garantiram que não abandonarão o local até que suas exigências sejam atendidas.

A praça foi rebatizada pelos participantes como praça Tahrir de Manama, em referência ao local homônimo do Cairo onde milhares de manifestantes se concentraram durante mais de duas semanas até a renúncia do presidente Hosni Mubarak , em 11 de fevereiro.

O Ministério do Interior prometeu punir os responsáveis pelas duas mortes se houver provas de que a polícia usou força "injustificável".

Protestos são relativamente comuns no Bahrein, um arquipélago com superfície de só 727 quilômetros quadrados. A atual onda é motivada por queixas familiares: dificuldades econômicas, falta de liberdades políticas e discriminação da monarquia sunita contra os xiitas, que são maioria da população.

"O povo exige a queda do regime!", gritavam os manifestantes, enquanto os homens batiam ritmadamente no peito, num gesto de luto característico dos xiitas.

Analistas dizem que os distúrbios no Bahrein podem estimular a minoria xiita da vizinha Arábia Saudita a também se rebelar, o que poderia ter impactos sobre o mercado mundial de petróleo.

O Bahrein propriamente dito não tem uma produção petrolífera relevante, mas abriga serviços bancários e financeiros importantes na região do Golfo Pérsico, além de ser sede da Quinta Frota da Marinha dos EUA.

Os manifestantes exigem a deposição do primeiro-ministro xeque Khalifa bin Salman al Khalifa, que governa a ilha desde o fim do colonialismo britânico, em 1971.

Por enquanto, porém, os manifestantes não têm cobrado mudanças no topo da hierarquia - o sobrinho do premiê, rei Hamad bin Isa al Khalifa, tem a palavra final no governo do país de 1,3 milhão de habitantes, metade deles estrangeiros.

"Estamos solicitando nossos direitos de forma pacífica", disse o estudante Bakr Akil, de 20 anos, enrolado em um lençol tingido de vermelho, simbolizando sua disposição em morrer pela liberdade.

Mulheres com trajes negros acompanharam a procissão com seus próprios gritos por paz e unidade nacional.

Os xiitas do Barein se dizem discriminados no acesso a moradias, saúde e empregos públicos, e acusam o governo de tentar alterar o equilíbrio demográfico trazendo imigrantes sunitas. Os ativistas também exigem a libertação de presos políticos, algo que o governo já prometeu, e uma nova Constituição.

O chefe da oposição xiita no Bahrein, xeque Ali Salman, exigiu nesta quarta-feira uma "monarquia constitucional" com um primeiro-ministro "eleito pelo povo". "Queremos um Estado democrático, (...) uma monarquia constitucional na qual o governo seja eleito pelo povo", declarou o xeque Salman, chefe do Al Wefaq, que ocupa 18 dos 40 assentos da Assembleia.

O xeque Salman destacou que não quer um "Estado religioso" e não há "lugar no Bahrein" para um regime inspirado no modelo do Irã, onde os religiosos dirigem o país.

*Reuters, AFP e EFE

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