Partidos islâmicos do Egito vencem eleições para a Câmara

Resultados indicam que braço político da Irmandade Muçulmana e salafistas conquistaram 2/3 das cadeiras; votação do Senado começa no dia 29

iG São Paulo |

EFE
O presidente da Comissão Eleitoral do Egito, Abdelmoaiz Ibrahim, anuncia resultados de votação para Assembleia Popular no Cairo
Os resultados finais das primeiras eleições parlamentares pós- Hosni Mubarak confirmaram uma vitória arrasadora para os partidos islâmicos, com o Partido Liberdade e Justiça (PLJ), braço político do movimento Irmandade Muçulmana, conquistando a maior parte das cadeiras da Assembleia do Povo (equivalente à Câmara dos Deputados). O partido salafista (que prega o rigor islâmico) Nour ficou em segundo.

Os egípcios votaram em três fases durante um período de seis semanas para eleger 498 membros da Assembleia do Povo. Outros dez membros serão indicados pela junta militar, que chegou ao poder após a queda de Mubarak em 11 de fevereiro em meio à chamada Primavera Árabe - revoltas populares contra autocracias no norte da África e Oriente Médio.

Sob o sistema do país, dois terços das cadeiras (332) são alocadas para as listas fechadas dos partidos, enquanto o terço remanescente (166) é destinado a candidatos individuais que se apresentaram em listas abertas, embora muitos representem legendas políticas. Os resultados gerais indicam que os partidos islâmicos conquistaram cerca de dois terços dos assentos da Casa.

Sozinho, o PLJ assegurou 38% dos votos nas listas fechadas (referentes a 332 cadeiras), contabilizando 127 cadeiras. Como também teve bom resultado nas listas abertas, cujo total ainda não foi divulgado, deve terminar com um terço e meio de todos os parlamentares. O ultraconservador partido Nour deve ter conquistado um quarto de todos os assentos, tendo obtido 92 via as listas fechadas (ou 29% dos votos).

Em terceiro lugar ficou o partido nacionalista Wafd, o mais antigo do Egito, com 36 cadeiras (11%), e, em quarto, o liberal e laico Bloco Egípcio, que, com 33 cadeiras (10%), foi perdendo força conforme as eleições se deslocavam dos núcleos urbanos rumo às zonas rurais.

Na sequência, vem o islamita Wasat (cisão da Irmandade), com dez cadeiras, e o conservador Reforma e Desenvolvimento, do sobrinho do ex-presidente Anwar al-Sadat, com oito cadeiras. As legendas surgidas no calor da egípcia Revolução de 25 de Janeiro e integradas por movimentos juvenis obtiveram baixa representação. Elas foram lideradas pela coalizão A Revolução Continua, que obteve 7 cadeiras.

A nova Assembleia realizará na próxima segunda-feira sua primeira sessão, sendo presidida pelo secretário-geral do PLJ, Mohammed Saad al-Katatny, segundo um acordo anunciado nesta semana entre os grupos.

Após a votação para a Assembleia do Povo, os egípcios voltarão às urnas para a eleição do Conselho Shura (equivalente ao Senado) nos dias 29 e 30 (com possível segundo turno em 7 de fevereiro), depois 14 e 15 de fevereiro (com possível segundo turno em 22 de fevereiro). As eleições devem terminar em 12 de março.

Após a posse, o novo Congresso será encarregado de redigir uma nova Constituição, que terá de ser referendada em votação popular. A previsão é de que as eleições presidenciais ocorram antes de julho, com prometido pela junta militar.

*Com EFE e BBC

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