Partido islâmico moderado anuncia vitória na Tunísia

Embora resultados oficiais não tenham sido divulgados, o principal concorrente, o secular PDP, admitiu a derrota

BBC |

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O partido islâmico moderado Ennahda anunciou a vitória nesta segunda-feira nas eleições para a assembleia constituinte da Tunísia. Embora os resultados oficiais ainda não tenham sido divulgados, o principal partido concorrente, o secular PDP, admitiu a derrota.

Reuters
Partidários do Enhada saem às ruas nesta segunda

O Ennahda deve ser o partido a eleger o maior número de representantes na assembleia que irá redigir uma nova constituição para a Tunísia, nas primeiras eleições consideradas democráticas no país.

Segundo observadores internacionais, o pleito foi livre e justo. Trata-se da primeira eleição desde a queda do regime de Zine al-Abidine Ben Ali , que renunciou em janeiro após semanas de protestos populares. O ex-presidente está exilado na Arábia Saudita.

A queda do presidente, no poder havia 23 anos, marcou o início da chamada Primavera Árabe , a onda de protestos que resultou no fim do regime do Egito , da Líbia e das ainda atuais manifestações na Síria e no Iêmen .

Islâmicos e seculares

Líderes do Ennahda negaram que a Tunísia irá se tornar um Estado islâmico, ao estilo da Arábia Saudita ou do Irã. Representantes do partido fizeram declarações de apoio a um sistema democrático secular e multipartidário.

A porta-voz do Ennahda, Yusra Ghannouchi, disse que “os tunisianos votaram nos partidos que tomaram parte na luta pela democracia e na oposição à ditadura de Ben Ali”. "Na linha de frente desses partidos está o Ennahda", diz Yusra.

Governo interino

A assembleia constituinte, composta de 217 representantes, terá como responsabilidade redigir uma nova constituição para o país e apontar o presidente interino da Tunísia. Segundo a comissão eleitoral do país, 90% dos tunisianos registrados para votar compareceram às urnas .

Mais de cem partidos participaram das eleições, que também contou com um alto número de candidatos independentes. A votação foi acompanhada por centenas de observadores estrangeiros, com milhares de fiscais tunisianos.

A campanha foi marcada pela disputa entre grupos islâmicos e seculares.

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