Partido da Irmandade Muçulmana é legalizado no Egito

Grupo esteve oficialmente proibido durante a presidência de Hosni Mubarak, que foi obrigado a renunciar em fevereiro

AFP |

O Partido da Liberdade e da Justiça, originado da confraria Irmandade Muçulmana , foi legalizado nesta segunda-feira, anunciou a agência oficial Mena. "A comissão de assuntos partidários aprovou a formação do Partido da Liberdade e da Justiça", indicou a agência.

A Irmandade Muçulmana foi fundada no Egito em 1928 por Hassan al-Banna, e sua doutrina se organiza em torno do dogma "tawhid" (unicidade de Deus) e da fusão do religioso e do político. O grupo esteve oficialmente proibido durante a presidência de Hosni Mubarak, que foi obrigado a renunciar em 11 de fevereiro por pressão popular.

AP
Em Alexandria, ativistas pintam mural representando Khaled Said, cuja morte há um ano foi um dos fatores para os protestos que causaram a queda do egípcio Hosni Mubarak
A Irmandade Muçulmana anunciou em 30 de abril que lançaria seu próprio partido com o objetivo de conquistar a metade das cadeiras do futuro Parlamento.

Segundo seus fundadores, o novo partido é "civil, mas apoiado nos princípios da sharia (lei islâmica)". Saad al Katatni, um dos dirigentes do partido, informou que em torno de 1 mil mulheres e uma centena de coptas (cristãos do Egito) faziam parte do núcleo de 8 mil membros fundadores.

O vice-presidente do partido, Rafiq Habib, é da religião copta. Seus integrantes, banidos da esfera política e apenas tolerados, dipunham de influentes redes de ajuda social. Chegaram a dispor de 88 cadeiras na Assembleia após as legislativas de 2005, mas boicotaram o segundo turno eleitoral de dezembro de 2010, denunciando fraudes em massa e violência da parte do partido no poder do presidente Mubarak.

A confraria islamita, que apresentava seus candidatos como "independentes", não teve nenhum eleito no primeiro turno, de 28 de novembro. O poder constituído não escondeu a vontade de enfraquecer sua representação antes das presidenciais de setembro de 2011.

Em novembro, um relatório do Departamento de Estado americano havia sublinhado que a Irmandade Muçulmana estava "sujeita a detenções arbitrárias e a pressões da parte do poder". Tornou-se particularmente ativa nas mesquistas, onde realizava ações de ajuda aos mais humildes, assim como nas universidades e nos sindicatos, como um movimento mais antigo do islamismo sunita.

No decorrer da história, oscilou entre a oposição violenta ao poder e a colaboração por meio de pregadores de um Estado islâmico com garantias de respeito ao jogo democrático. Na década de 40, praticou atos sangrentos, entre eles o assassinato do primeiro-ministro Mahmud Fahmi al-Noqrachi, em 1948.

Seus membros tornaram-se, então, objeto de uma repressão brutal. O presidente Gamal Abdel Nasser endureceu ainda mais a política contra eles entre 1954 e 1970, após uma tentativa de assassinato atribuída ao movimento.

Seus membros passaram a ser detidos aos milhares. A partir de 1956, beneficiaram-se de uma ajuda financeira e militar da CIA americana para enfraquecer um poder apoiado pela União Soviética.

Em 1971, Anwar el-Sadat, que sucedeu a Nasser, libertou a Irmandade, proclamando anistia geral. Mas seus membros reagiram muito mal à reviravolta de Sadat e à assinatura dos acordos de paz com Israel. Em 1981, Sadat foi assassinado por antigos membros da Irmandade que se deixaram levar pelo extremismo.

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