Partidários e opositores de Assad entram em confronto na Síria

Forças de segurança abrem fogo e matam ao menos sete; presidente anuncia nova anistia e organiza manifestações em massa pró-regime

iG São Paulo |

Partidários do governo e oponentes entraram em confronto em três cidades da Síria nesta terça-feira, e ao menos sete morreram, incluindo um adolescente, após forças de segurança abrirem fogo, disseram ativistas. O derramamento de sangue ocorreu enquanto o regime de Bashar al-Assad tenta conter um levante pró-democracia que dura três meses.

De acordo com os Comitês de Coordenação Local, que acompanha o movimento de protesto sírio, um garoto de 13 anos foi mortos quando forças de segurança abriram fogo contra manifestantes antigoverno na principal praça da cidade de Hama. Três outras pessoas morreram em Homs, no centro do país, e outras três no distrito de Mayadin, na cidade oriental de Deir el Zour durante marchas a favor e contra o regime.

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Manifestante sírio segura bandeira nacional durante manifestação de apoio a presidente Bashar al-Assad em Damasco
Os dois lados já entraram em confronto anteriormente, mas os eventos desta terça-feira parece ser a pior violência desse tipo. "Estamos vendo uma escalada das autoridades hoje", disse Omar Idilbi, porta-voz dos comitês. "Eles estão enviando marginais pró-regime juntamente com forças de segurança para atacar os manifestantes."

Dezenas de milhares com bandeiras e fotos de Assad dirigiram-se para praças em várias grandes cidades da Síria nesta terça-feira, um dia depois de ele oferecer um vago plano de reforma política em um discurso que foi rejeitado pelos opositores , que saíram às ruas gritando "Mentiroso!"

Nesta terça-feira, Assad anunciou uma anistia geral a todos os delitos cometidos antes de 20 de junho de 2011. A agência oficial síria Sana divulgou a decisão presidencial em uma nota urgente e não ofereceu mais detalhes sobre a anistia, a segunda decretada desde o início dos protestos, em 15 de março. Em 31 de maio, Assad decretou uma anistia geral que incluía os presos políticos e os membros da Irmandade Muçulmana que tivessem perpetrado delitos até aquele dia.

O anúncio desta terça-feira coincide com grandes manifestações nas principais cidades do país em apoio ao regime e a seu programa de reformas. As passeatas acontecem em Damasco, Aleppo (norte), Deraa (sul), Homs (centro) e Tartus (leste), entre outras cidades. Na capital, dezenas de milhares de pessoas se reuniram na praça de Amawin, perto da Mesquita dos Omíada.

Uma testemunha em Homs disse à Associated Press que uma marcha pró-Assad com cerca de 100 mil 10 mil chegou à cidade nesta terça-feira. "Ninguém os conhece, são estrangeiros nesta cidade e pedem direções", disse. Depois, quando manifestantes antigoverno surgiram nos bairros de Homs, houve disparos e vários morreram enquanto outros ficaram feridos, relatou.

No lado sírio da fronteira entre a Turquia e Síria, onde se encontram milhares que fugiram da repressão do regime de Damasco, disparos de armas leves e explosões foram ouvidos nesta terça-feira. Os disparos procediam do alto de uma colina na vila de Hamboushieh, onde se localiza a linha fronteiriça, a dois quilômetros de distância.

Milhares de sírios se reúnem perto da fronteira turca, junto à localidade de Guvecci, mas hesitam em passar para a fronteira por temer não poder voltar para suas casas. Cerca de 11 mil sírios decidiram nas últimas semanas atravessar para a Turquia, onde são recebidos em cinco acampamentos administrados pela Crescente Vermelho turca.

O discurso de segunda-feira de Assad - e as marchas pró-regime desta terça-feira - mostraram a clara intenção do presidente de tentar coibir os protestos pró-democracia, expondo a determinação que manteve sua família no poder nos últimos 40 anos.

Mas a oposição mobilizada também aparente manter-se firme, preparando-se para confrontos em um dos levantes mais mortais da Primavera Árabe. A oposição estima que mais de 1,4 mil sírios foram mortos e 10 mil detidos na repressão desde março.

*Com AP, AFP e EFE

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